De Guarda-Mirim a Secretário Nacional: A Trajetória de Juvenal Araújo e a Luta por Igualdade no Brasil

Entrevistadora: Camila Pasquarelli
Convidado: Juvenal Araújo
Podcast: Rádio Corredor

Hoje você vai conhecer uma história que atravessa a periferia, a luta, a política e a esperança. Juvenal Araújo compartilha sua trajetória, seus desafios e o propósito de transformar realidades por meio de políticas públicas e igualdade racial. Uma entrevista para inspirar, refletir e acreditar que é possível ir além.

Camila: Juvenal, seja muito bem-vindo. Seu currículo é tão extenso que parece o Salmo 119. É um prazer te receber. Para começar, conta pra gente como foi sua trajetória desde a infância até chegar ao cargo de secretário nacional.

Juvenal: Eu que agradeço, Camila. Sou mineiro, de Governador Valadares, cresci na periferia. Como muitos jovens negros, precisei trabalhar cedo para ajudar em casa. Aos 14 anos fui guarda-mirim no hospital onde minha mãe trabalhava. Aos 15, perdi meu pai para a cirrose hepática e tive que assumir responsabilidades muito cedo, ajudando a criar meu irmão mais novo. Trabalhei em várias funções dentro do hospital, fiz faculdade de farmácia, mas minha vida acabou indo mais para o lado social e sindical, ajudando pessoas que chegavam ao pronto-socorro por fome, não por doença. Daí nasceu um trabalho solidário que virou jornal, depois ação social maior, até chegar ao movimento sindical.


Camila: Você sente que foi a política que te escolheu, e não o contrário?

Juvenal: Totalmente. Eu já fazia política sem saber: ajudando pessoas, lutando contra desigualdade, defendendo direitos. Quando me convidaram para entrar num partido, eu resisti, porque tinha aquela imagem ruim da política. Depois percebi: o que eu fazia já era política. Com as ferramentas certas, eu poderia fazer muito mais.


Camila: Qual foi o momento em que você percebeu que sua vida estaria ligada à política?

Juvenal: Quando entendi que as causas que eu defendia – desigualdade racial, injustiça no mercado de trabalho, exclusão social – só seriam realmente enfrentadas com políticas públicas. A partir daí, eu falei: se é pra entrar, quero chegar onde posso ajudar mais gente. E esse lugar era a Secretaria Nacional de Igualdade Racial.


Camila: Você se tornou o secretário nacional mais jovem da área, com 39 anos. O que isso representou pra você?

Juvenal: Foi inimaginável. Eu saí de uma periferia de Minas, fui guarda-mirim, dormia no hospital onde minha mãe trabalhava. Chegar a representar o Brasil na ONU, viajar por vários países levando políticas de igualdade racial… foi algo que eu nunca sonhei nem nos meus melhores sonhos.


Camila: Uma das suas marcas foi a criação das comissões de heteroidentificação. Por quê?

Juvenal: Porque as cotas começaram a ser fraudadas. Pessoas não negras se autodeclaravam negras para entrar em concursos e universidades. A autodeclaração é livre, mas para acessar uma política pública afirmativa, precisa passar por uma comissão técnica. Criamos isso para garantir que a política chegasse a quem realmente precisa.


Camila: Você também participou da criação do decreto que garante 30% das vagas de estágio para negros. O que isso significou pra você?

Juvenal: Foi muito simbólico. Eu fui guarda-mirim aos 14 anos, e hoje ajudei a criar uma política para que jovens negros tenham oportunidade de estágio em grandes órgãos públicos. Isso é política pública transformando destino.


Camila: Você costuma dizer que só existe uma forma de combater o racismo. Qual é?

Juvenal: Política pública efetiva e permanente. Não é com discurso bonito, nem com tapinha nas costas. É com lei, orçamento, ação concreta.


Camila: Você viveu uma experiência muito forte com crianças quilombolas. Pode contar?

Juvenal: Quando inaugurei uma escola quilombola no Pará, as crianças me puxavam, beliscavam, mexiam no meu cabelo. A diretora explicou: elas nunca tinham visto alguém da cor delas, de terno, sendo tratado como importante. Elas queriam ver se eu era real. Ela disse: elas não vão lembrar seu nome, mas vão sonhar em ser como aquele homem negro importante que entrou naquele campo. Isso é representatividade.


Camila: Como você vê a política hoje: rede social ou rua?

Juvenal: As redes ajudam, mas a política de verdade ainda é olho no olho. A maioria da população não vive de internet, vive de feira, de ônibus, de salário curto. Quem não sabe andar na rua não ganha eleição nem muda realidade.


Camila: Você fala muito do Gustavo Rocha. Que papel ele tem na sua trajetória?

Juvenal: O Gustavo é uma das pessoas mais corretas que conheço. Ele é sincero: ou é sim ou é não. Sempre trabalhou com direitos humanos, cotas, igualdade. É tímido, mas extremamente firme. O DF precisa de gente assim.


Camila: E a Marcela?

Juvenal: A Marcela é energia pura. Mulher forte, de rua, de povo. Onde ela chega, canta, dança, conversa. Ela sabe entrar e sair de qualquer lugar. É uma liderança legítima.


Camila: E o PRTB? Como foi sua chegada?

Juvenal: Recebi o convite do presidente nacional, Amauri Pinho, com muita alegria. Meu papel é estruturar o partido no DF, formar nominatas fortes, dar espaço a lideranças que não têm vez nos partidos grandes.


Camila: E o Pablo Marçal, que é ligado ao PRTB?

Juvenal: Ele é uma liderança forte, muito comunicativa. Tem grande apoio popular. Esperamos que ele possa estar elegível em breve para ajudar ainda mais o partido e o projeto nacional.


Camila: Em 2026 teremos Juvenal candidato?

Juvenal: Não. Em 2026 estarei nos bastidores, ajudando a estruturar o partido e formar boas candidaturas. O futuro a Deus pertence, mas nessa eleição eu não serei candidato.


Camila: Para encerrar: qual é a sua mensagem final?

Juvenal: A luta pela igualdade e pela equidade racial não é só dos negros. É de todos nós, independentemente da cor da pele. E a única forma de eliminar o racismo é com política pública efetiva e permanente.


✨Da periferia de Minas ao cenário nacional da política: conheça a história inspiradora de Juvenal Araújo, que transformou dor em propósito e luta em política pública.
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