Desromantizando a Política: Comunicação, Poder e Eleição com Daniel Radar no Rádio Corredor

Podcast: Rádio Corredor
Entrevistador: Odir Ribeiro
Convidado: Daniel Radar – 1º Suplente de Deputado Distrital e Vice-Presidente do Avante/DF

No episódio do Rádio Corredor, Odir Ribeiro recebe Daniel Radar, comunicador, 1º suplente de deputado distrital e vice-presidente do Avante/DF. Em uma conversa franca e sem filtro, eles falam sobre comunicação comunitária, redes sociais, site, política real, bastidores do poder, saúde pública, segurança, eleições e a psicologia do eleitor. Um bate-papo que mistura experiência, crítica e visão prática sobre como a política realmente funciona.


Odir Ribeiro:

Daniel, seja bem-vindo. Pra começar, queria que você falasse da sua trajetória na comunicação. Como nasce o Radar?

Daniel Radar:

O Radar nasce em 2011, em Santa Maria. Na época não existia Instagram, era tudo no Facebook. Eu comecei escrevendo sobre os problemas da cidade, coisas que eu via e não concordava. Adicionava amigo por amigo, eles iam compartilhando e aquilo cresceu de forma orgânica. Quando virou página, explodiu. Em uma cidade de 120 mil habitantes, cheguei a quase 240 mil seguidores e mais de 3 milhões de acessos por mês.


Odir:

Você é considerado pioneiro das páginas comunitárias. Qual foi o diferencial?

Daniel:

Foi fazer comunicação comunitária de verdade. Não era só notícia, era direcionamento: “isso tá errado, podia ser assim”. As pessoas se identificavam porque viam que alguém estava falando o que elas sentiam.


Odir:

E por que você sempre defendeu tanto a ideia de site, além das redes sociais?

Daniel:

Porque rede social é importante, mas é limitada. O site te dá profundidade, ranqueamento no Google, autonomia. Hoje, se você quer vender, anunciar, monetizar, precisa de site. Quem acha que site morreu está errado. O próprio Metrópoles quer levar todo mundo pro site.


Odir:

A página te levou naturalmente para a política?

Daniel:

Sim. Mas antes disso eu já tinha vivido os bastidores com o senador Reguffe, desde 2007. Em 2018 saí candidato a deputado distrital, fiz 12.208 votos, mais que oito eleitos, mas fiquei fora. Ali começou minha trajetória própria na política.


Odir:

Você é crítico ao modelo das administrações regionais. Por quê?

Daniel:

Porque elas perderam a essência. Hoje são engessadas, sem autonomia. Servem mais a quem indicou do que à população. Deveriam ser descentralizadas, com órgãos como Novacap, Detran, Terracap ali dentro, para resolver problema rápido. Hoje tudo é lento, analógico.


Odir:

Você acha que isso é romantismo ou dá pra mudar?

Daniel:

Se for pensar só pragmaticamente, é difícil. Mas dá pra melhorar. O problema é que virou moeda de barganha política. Enquanto for assim, vai continuar servindo a poucos.


Odir:

Falando de saúde pública: você bate muito nessa tecla.

Daniel:

Porque eu vivo isso. Não tenho plano de saúde, tenho três filhas. Já precisei do Hospital de Santa Maria e tive que ir pra UPA de Novo Gama pra ser atendido. A saúde pública é cronicamente mal gerida. O problema não é só dinheiro, é gestão.


Odir:

Você defende mais investimento via emendas?

Daniel:

Defendo que pelo menos 50% das emendas dos distritais vá pra saúde, como já acontece com deputados federais. Se isso fosse feito, daria pra construir hospitais, investir em atenção primária e resolver 85% dos problemas.


Odir:

Mas o eleitor cobra saúde?

Daniel:

Pouco. O eleitor só lembra da saúde quando precisa. O que dá voto é obra visível e segurança pública. Segurança é cotidiana: iluminação, parada de ônibus, medo de ser assaltado. Saúde é dor pontual.


Odir:

Então o voto é racional ou emocional?

Daniel:

Totalmente emocional. O eleitor vota por carinho, atenção, simpatia. O político que abraça, elogia, cria expectativa, encanta. Proposta sozinha não ganha eleição.


Odir:

Você acha que se romantizou demais nas eleições passadas?

Daniel:

Sim. Eu fiz campanha muito técnica, explicando o que era prerrogativa do legislativo e do executivo. Achei que ia ganhar pelo conteúdo. Mas ganhei mais voto pela relação humana que construí ao longo dos anos do que pelas ideias.


Odir:

O que você aprendeu com isso?

Daniel:

Que princípios e valores não se negociam. Mas estratégia, alianças e leitura do sistema são obrigatórias. Se não entender como o jogo funciona, vira eterno “quase chegou”.


Odir:

Hoje você está no Avante. Como foi essa escolha?

Daniel:

Eu precisava de uma nominata equilibrada, que me desse chance real. Em partidos inchados, o médio sempre vira bucha de canhão. No Avante, como vice-presidente, ajudo a construir uma nominata justa, transparente, com chance de eleger dois ou até três distritais.


Odir:

Qual é a linha de corte hoje?

Daniel:

Hoje está em torno de 14 mil votos. Quem consegue chegar a 15 mil votos tem chance real. Isso é pouco discutido, mas é decisivo.


Odir:

E o Arruda nessa história?

Daniel:

Ele é pré-candidato ao governo pelo PSD e é o grande nome da majoritária. O Avante constrói a nominata distrital e dialoga com esse projeto.


Odir:

Você acredita que ele estaria nesse jogo se fosse inelegível?

Daniel:

Sinceramente, não. Um partido como o PSD não colocaria sua estrutura na mão de alguém sem segurança jurídica. Mas isso faz parte da narrativa política.


Odir:

Qual seu convite final para quem quer disputar?

Daniel:

Se você acha que consegue chegar a 15 mil votos, venha conversar com o Avante. Aqui tem diálogo, transparência e chance real de disputa.


Odir:

Redes sociais?

Daniel:

@DanielRadarDF, onde falo de política, e @RadarSantaMariaGama, minha página comunitária.


Odir (encerramento):

Daniel, foi um papo longo, mas necessário. Obrigado pela presença. Vamos almoçar agora!

Daniel:

Obrigado pelo convite. Sempre um prazer estar aqui.

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