(Da esquerda para a direita: Eduardo Leite, Gilberto Kassab, Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Ratinho Jr. Imagem gerada por inteligência artificial)
A decisão do PSD (Partido Social Democrático) de lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República marca uma nova fase na articulação política para as eleições de 2026. O movimento, conduzido diretamente por Gilberto Kassab (fundador e presidente nacional do partido), revela não apenas uma escolha estratégica interna, mas também impactos relevantes no equilíbrio entre os principais grupos políticos do país.
Decisão centralizada e ausência de prévias
A escolha de Caiado ocorreu sem a realização de prévias ou votação interna. Kassab optou diretamente pelo nome do governador, encerrando uma disputa que envolvia também Ratinho Júnior e Eduardo Leite.
Nos bastidores, a definição já era esperada após o enfraquecimento das alternativas: Ratinho Júnior se afastou da disputa antes da decisão final, enquanto Eduardo Leite não conseguiu consolidar apoio suficiente dentro do partido.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, tira uma selfie no anúncio da filiação de Ronaldo Caiado – ao centro – ao partido, junto dos governadores do Paraná, Ratinho Jr – à direita-, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite em 28 de janeiro de 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais)
Estratégia do PSD: crescimento e flexibilidade
A movimentação do PSD evidencia uma estratégia clara: ampliar sua influência nacional sem se comprometer integralmente com um único projeto presidencial.
Kassab deixou evidente que o partido não adotará uma posição unificada em todo o país. Em vez disso, permitirá que diretórios estaduais escolham alianças conforme seus interesses locais — podendo apoiar tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro, ou até mesmo manter apoio ao próprio Caiado.
Essa flexibilidade reforça o modelo pragmático do PSD, focado no fortalecimento da legenda nos estados e no aumento de sua capilaridade política.
Impacto no governo Lula
A decisão frustrou expectativas do governo federal, que buscava atrair o PSD para uma aliança nacional.
Chegou-se a cogitar, inclusive, a possibilidade de Kassab ocupar a vaga de vice em uma eventual candidatura à reeleição de Lula.
No entanto, o distanciamento do PSD indica uma perda importante de apoio para o campo governista, especialmente considerando a relevância da estrutura partidária em campanhas eleitorais.
A ausência desse apoio pode dificultar a mobilização eleitoral em regiões estratégicas, sobretudo entre eleitores menos engajados politicamente.

(Lula recebendo Kassab no Palácio do Planalto em 2008. Foto: Ricardo Stuckert/PR/VEJA)
Benefícios indiretos para Flávio Bolsonaro
Apesar de não haver alinhamento formal, a escolha de Caiado também pode favorecer indiretamente o campo ligado a Flávio Bolsonaro.
Isso porque a entrada de um candidato de perfil conservador tende a disputar votos dentro do mesmo espectro ideológico, reduzindo a pressão direta sobre Lula e redistribuindo forças na direita.
Ainda assim, analistas apontam que, ao longo da campanha, é provável que Caiado também direcione críticas a Flávio Bolsonaro, na tentativa de conquistar espaço eleitoral e se viabilizar como alternativa competitiva.

(Flávio Bolsonaro discursa ao lado de Ronaldo Caiado na Avenida Paulista. Foto: Fraga Alves/Especial Metrópoles)
Polarização e disputa por eleitores
O lançamento de Caiado ocorre em um cenário ainda fortemente polarizado entre Lula e Bolsonaro (ou seu campo político). Embora o governador de Goiás tente se apresentar como alternativa fora dessa polarização, a dinâmica eleitoral tende a empurrar sua candidatura para o confronto direto com ambos os lados.
Há expectativa de que, nos momentos finais da campanha, ocorra um movimento de “voto útil”, concentrando preferências nos candidatos com maior viabilidade eleitoral.
Reação de Eduardo Leite e divisão interna
A escolha de Caiado gerou insatisfação em Eduardo Leite, que demonstrou desconforto com a decisão do partido e criticou o ambiente político polarizado.
Sua reação expõe fissuras internas no PSD, embora o partido tenha optado por seguir uma linha pragmática, priorizando um nome com maior identidade ideológica e potencial de mobilização.

(O governador do Rio Grande Do Sul, Eduardo Leite. Foto: Kaio Lakaio/VEJA)
Leitura ideológica: guinada à direita
A escolha de Caiado também sinaliza uma leitura estratégica de longo prazo por parte de Kassab: a percepção de que o eleitorado brasileiro tem se deslocado mais à direita.
Caiado, que possui histórico político ligado ao conservadorismo — inclusive desde sua candidatura presidencial em 1989 —, representa esse posicionamento ideológico de forma mais clara do que seus concorrentes internos.
A principal marca da gestão de Ronaldo Caiado à frente do governo de Goiás, entre 2019 e 2026, é, sem dúvida, a segurança pública. Ao longo de seu mandato, Caiado consolidou uma imagem fortemente associada ao combate à criminalidade, transformando esse tema no eixo central de sua atuação política e administrativa.
O governador frequentemente apresenta Goiás como “o estado mais seguro do Brasil”, destacando os resultados obtidos durante sua gestão. Seu discurso firme e direto — sintetizado na frase “bandido muda de profissão ou muda de estado” — reforça essa identidade de tolerância zero com o crime. Na prática, essa postura foi acompanhada por investimentos robustos na área: ampliação do efetivo policial, uso intensivo de tecnologia, fortalecimento da inteligência e reestruturação do sistema penitenciário. Como consequência, o estado registrou queda significativa nos índices de criminalidade, o que ampliou o reconhecimento nacional de Caiado nessa área.

(O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, posa ao lado de policiais militares durante evento em Goiânia em 04 de abril de 2025. Foto: Governo do Estado de Goiás/Divulgação)
Embora a segurança pública seja a marca mais forte e emblemática de seu governo, outras áreas também contribuíram para a construção de sua imagem administrativa:
(1) Na economia, destacou-se pela responsabilidade fiscal, recuperando um estado que enfrentava sérias dificuldades financeiras e colocando Goiás entre os mais equilibrados do país. Criou a Secretaria da Retomada e desenvolveu ações voltadas à geração de empregos, que contribuíram para a redução do desemprego e a reativação da economia estadual.
(2) Na educação, os resultados também chamaram atenção, com o estado figurando entre os melhores no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil. O IDEB não mede só se o aluno “aprendeu”, ele também considera se o aluno está progredindo regularmente na escola.
(3) Na saúde, a gestão foi marcada por entregas relevantes, como o Hospital Cora, que se tornou referência nacional, além de melhorias no atendimento à população. O Hospital Cora é o primeiro hospital público estadual do Brasil totalmente dedicado ao tratamento do câncer em crianças e adolescentes. Inaugurado em 25 de setembro de 2025, em Goiânia, a unidade é gerida em parceria com o Hospital de Amor, referência nacional em oncologia. Construído em cerca de 25 meses, o hospital é considerado uma das principais realizações da gestão na área da saúde.

(Hospital Cora: Rua Guatambús com Rua Doná Todica, Bairro Barravento, CEP: 74594-111, Goiânia – Goiás. Crédito: https://goias.gov.br/cora/)
(4) Já na infraestrutura, houve a retomada de centenas de obras paralisadas e investimentos em rodovias, impulsionando o desenvolvimento regional. A rodovia GO-132, por exemplo, no trecho entre Niquelândia, Colinas do Sul e Minaçu, é considerada a obra viária mais emblemática da gestão de Ronaldo Caiado. Há décadas aguardada pela população do Norte de Goiás, a pavimentação completa da via representou um marco para a região, ao integrar importantes municípios produtores — especialmente ligados à mineração — à Chapada dos Veadeiros e ao restante do estado. Além disso, a obra trouxe ganhos significativos em mobilidade e segurança, ao eliminar a necessidade de deslocamentos pela BR-153, conhecida pelo alto fluxo e riscos, ou por desvios mais longos via Brasília.

(Rodovia GO-132, trecho entre Niquelândia, Colinas do Sul e Minaçu, toda no estado de Goiás)
Assim, embora tenha atuado em diversas frentes, é na segurança pública que Ronaldo Caiado construiu sua principal identidade política — uma marca que define sua gestão e sustenta seu protagonismo no cenário nacional.
Críticas à “frente ampla” e ao governo atual
O afastamento de partidos como PSD e MDB (Movimento Democrático Brasileiro) do campo governista também é interpretado como reflexo de insatisfações com o atual governo.
Há avaliação de que promessas de moderação política não teriam sido plenamente cumpridas, o que contribuiu para o distanciamento de setores do centro político que haviam apoiado Lula anteriormente.
De forma simples, o espectro político pode ser entendido a partir de três grandes campos:
- A esquerda prioriza a busca por maior igualdade social e costuma defender mudanças estruturais para reduzir desigualdades;
- O centro, por sua vez, valoriza o equilíbrio, o pragmatismo e a moderação, buscando soluções intermediárias e adaptáveis conforme o contexto.;
- Já a direita enfatiza a liberdade individual, a preservação de tradições e a manutenção da ordem, defendendo menor intervenção do Estado em diversos aspectos da vida econômica e social.
PSD e MDB não são idênticos em seu posicionamento, mas são bastante semelhantes e disputam o mesmo espaço no centro político brasileiro. Ambos se caracterizam por uma atuação pragmática, priorizando governabilidade, negociação e alianças estratégicas — independentemente do governo de turno, tendo já apoiado diferentes administrações ao longo dos anos. Inseridos no chamado Centrão, possuem forte presença municipal, com ampla base em prefeituras e câmaras, além de abrigarem lideranças regionais diversas.
No campo econômico, defendem a economia de mercado, a responsabilidade fiscal e a iniciativa privada, combinadas com políticas sociais moderadas. Em comum, também apresentam flexibilidade ideológica, sem rigidez doutrinária, o que lhes permite adaptar posições conforme o contexto político.

(Os maiores símbolos de cada vertente política — da esquerda para a direita: Lula, representando a esquerda; Kassab, representando o centro;
e Bolsonaro, como o símbolo mais forte da direita. Imagem gerada por inteligência artificial)
Declarações de Caiado e início dos embates
Ao lançar sua pré-candidatura, Caiado criticou a polarização política e afirmou que pretende se apresentar como alternativa capaz de superar esse cenário.
No entanto, já sinalizou que participará ativamente dos debates e não evitará confrontos, o que indica que sua campanha deverá incluir críticas tanto ao governo quanto a outros candidatos da direita.
Cenário em aberto para 2026
A entrada de Caiado na disputa reforça a complexidade do cenário eleitoral de 2026. Embora sua candidatura possa não ser considerada favorita neste momento, ela cumpre um papel estratégico importante:
- amplia o espaço do PSD no debate nacional;
- fragmenta o campo da direita;
- dificulta articulações do governo federal;
- e aumenta a imprevisibilidade da eleição.
No fim, mais do que uma tentativa direta de vitória, a movimentação do PSD parece consolidar um projeto de fortalecimento partidário com impacto duradouro no tabuleiro político brasileiro.
📍 Referências:
▶️ https://g1.globo.com/politica/eleicoe…
▶️ https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gu…
▶️ https://www.brasil247.com/blog/caiado…
▶️ https://revistaoeste.com/no-ponto/kas…
▶️ https://jornaldebrasilia.com.br/notic…
▶️ https://www.terra.com.br/noticias/bra…
▶️ https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/ele…
▶️ https://noticias.uol.com.br/ultimas-n…
▶️ https://oglobo.globo.com/politica/not…
▶️ https://www.youtube.com/watch?v=wxTaEjRg2i8
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