(Imagem gerada por inteligência artificial)
Uma recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de responsabilizar agentes pela alta do diesel provocou forte repercussão e reacendeu o debate sobre as causas do aumento dos combustíveis no Brasil.
Declaração de Lula e reação crítica
O ponto de partida do debate foi a fala de Lula indicando que poderia haver responsabilização — inclusive com punições — de agentes que estariam se aproveitando da alta dos combustíveis para lucrar de forma indevida.
A declaração foi interpretada por críticos como uma tentativa de transferir a responsabilidade do aumento de preços para comerciantes e distribuidores. Esse grupo argumenta que a fala tem caráter político e pode gerar insegurança no mercado, caso medidas punitivas sejam adotadas sem critérios claros.

Política de impostos e impacto nos preços
Um dos principais pontos levantados é a política tributária adotada nos últimos anos. Em 2022, durante o governo Bolsonaro, houve redução de impostos federais e estaduais sobre combustíveis, o que contribuiu para a queda dos preços ao consumidor naquele período.
Com a mudança de governo em 2023, parte dessas desonerações foi revertida. Segundo críticos, essa recomposição de impostos elevou diretamente o preço final dos combustíveis. Já defensores da medida argumentam que a reoneração foi necessária para recompor receitas públicas e garantir equilíbrio fiscal.

(Foto: Lucas Cortez/Inter TV Cabugi)
🔵Governo Bolsonaro (2019–2022)
O período foi marcado por forte volatilidade nos preços, com registros tanto dos menores quanto dos maiores valores da série histórica recente.
Menor preço registrado
O menor preço médio nacional foi de R$ 3,82, em maio de 2020.
Esse foi o valor mais baixo desde 2001, impulsionado principalmente pela pandemia de Covid-19, quando os lockdowns globais reduziram drasticamente a demanda por petróleo.
Maior preço registrado
O pico ocorreu entre maio e junho de 2022, com valores entre R$ 7,29 e R$ 7,39.
Esse foi o maior preço médio já registrado pela ANP até então. Em algumas regiões e postos específicos, o valor chegou a R$ 8,99.
Entre os fatores que pressionaram os preços naquele momento estão:
- Guerra na Ucrânia;
- Alta do dólar;
- Pandemia;
- Política de preços da Petrobras alinhada ao mercado internacional.
Ponto de partida do governo
No início do mandato, em janeiro de 2019, a gasolina custava em média entre R$ 4,20 e R$ 4,30.
Governo Bolsonaro (2019–2022) – O que foi feito para diminuir o preço
Durante o governo Bolsonaro (2019–2022), a queda mais expressiva no preço da gasolina ocorreu em 2020, quando o valor médio chegou a R$ 3,82, mas esse movimento foi provocado principalmente por fatores externos, como a forte redução do preço do petróleo no mercado internacional — que despencou de cerca de US$ 60 para menos de US$ 10 o barril — em razão da pandemia de Covid-19 e dos lockdowns globais que derrubaram a demanda; internamente, a Petrobras apenas repassou parte dessa queda.
Já as ações diretas do governo para conter os preços se concentraram sobretudo em 2021 e 2022, com a zeragem de impostos federais (PIS/Cofins/Cide) sobre diesel e gás de cozinha em 2021, e sobre gasolina e etanol em 2022, além da criação do teto do ICMS, que limitou a alíquota estadual entre 17% e 18%, medida considerada a mais eficaz para a redução dos preços no segundo semestre de 2022.
Ainda assim, durante quase todo o mandato, foi mantida a política de Preço de Paridade Internacional (PPI), que vinculava os combustíveis ao dólar e ao mercado externo, gerando oscilações e altas frequentes, com reduções mais relevantes apenas no fim do governo. Em síntese, enquanto a queda de 2020 teve origem majoritariamente externa, as medidas adotadas em 2022 contribuíram para reduzir o preço da gasolina de cerca de R$ 7,30 para aproximadamente R$ 4,96 ao final do mandato.

(Jair Bolsonaro em 2022, com a gasolina a R$ 4,19. Já em 2026, o preço chegou a R$ 8,59 na Bahia, em Teixeira de Freitas, e em alguns pontos de São Paulo. Imagem gerada por inteligência artificial)
🔴Governo Lula (2023 – início de 2026)
O terceiro mandato de Lula apresenta uma faixa de preços mais estável em comparação ao período anterior, embora ainda impactada por fatores externos e ajustes internos.
Menor preço registrado
O menor valor médio foi de aproximadamente R$ 4,96 a R$ 4,97, observado no final de 2022 e início de 2023, durante a transição de governo.
Essa queda foi influenciada pelos cortes de impostos realizados no fim de 2022. Ao longo de 2023, houve momentos em que o preço ficou próximo de R$ 5,00, especialmente em alguns meses como julho.
Maior preço registrado
Maior preço médio em 2026 (até agora): R$ 6,78 (semana de 22 a 28 de março de 2026) — com relatos de R$ 6,98 em algumas medições da última semana de março.
A alta foi impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio (guerra envolvendo Irã), que elevou o preço internacional do petróleo. O ano começou em torno de R$ 6,29 (janeiro) e subiu fortemente em março.
Média do período
O preço médio da gasolina no mandato até 2025 ficou em torno de R$ 5,89.
Em 2024, a média anual foi de aproximadamente R$ 6,15, configurando o segundo maior nível dos últimos 15 anos, atrás apenas de 2021.
Fatores que influenciam os preços
Durante esse período, os principais fatores de pressão incluem:
- Oscilações do preço do petróleo no mercado internacional;
- Variação do dólar;
- Ajustes no ICMS em alguns estados.
Governo Lula (3º mandato – 2023 até agora) – O que está sendo feito para diminuir o preço
No terceiro mandato de Lula (2023 até o momento), as ações para conter o preço dos combustíveis começaram com a prorrogação temporária da desoneração federal herdada do governo anterior — mantendo impostos zerados sobre gasolina até fevereiro de 2023 e por mais tempo sobre diesel e GLP —, além de uma mudança na política de preços da Petrobras, que passou a considerar mais os custos internos e uma margem de segurança, reduzindo a dependência total da paridade internacional e permitindo quedas como a de cerca de R$ 0,40 na gasolina em maio de 2023.
Já em 2026, diante da alta do petróleo causada por tensões no Oriente Médio, o governo anunciou um pacote emergencial focado principalmente no diesel, incluindo a zeragem de PIS/Cofins sobre importação e comercialização e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro, totalizando um alívio potencial de até R$ 0,64 por litro, além de reforçar a fiscalização da ANP contra práticas abusivas, propor imposto sobre exportação de petróleo para estimular o refino interno e compensar perdas de arrecadação, e solicitar aos estados a redução do ICMS, sendo importante destacar que essas medidas têm impacto mais direto no diesel — devido ao seu peso na cadeia produtiva e na inflação —, enquanto os efeitos sobre a gasolina são mais limitados.
As medidas recentes de Lula em 2026 são principalmente para o diesel (por impacto na cadeia produtiva, transporte e inflação de alimentos). Para a gasolina, o impacto direto tem sido menor.
Influência do cenário internacional
Outro fator central é o mercado internacional de petróleo. O preço do barril oscila de acordo com tensões geopolíticas, oferta global e demanda.
A transcrição menciona preocupações com conflitos envolvendo o Irã e possíveis impactos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. Em momentos de instabilidade internacional, os preços tendem a subir, o que impacta diretamente países importadores ou dependentes de preços internacionais, como o Brasil.
Aumento do querosene de aviação
Um dos pontos concretos citados é o aumento de cerca de 55% no preço do querosene de aviação pela Petrobras.
Esse reajuste tem impacto direto no setor aéreo, já que o combustível representa aproximadamente 30% dos custos operacionais das companhias. Como consequência, há expectativa de aumento no preço das passagens, estimado por algumas empresas em torno de 10%.

(Imagem: RN Turismo)
Gás de cozinha e leilões da Petrobras
Outro tema abordado é a venda de gás de cozinha (Gás Liquefeito de Petróleo – GLP) em leilões realizados pela Petrobras.
Segundo o relato, parte do produto foi negociada com valores significativamente acima dos praticados em contratos regulares, chegando a ágio superior a 100% em alguns casos. Isso indica:
- Alta demanda por gás no mercado;
- Possível descompasso entre oferta e consumo;
- Defasagem em contratos anteriores.
Especialistas apontam que, embora contratos de longo prazo mantenham preços mais estáveis, operações no mercado spot (leilões) refletem a pressão imediata da demanda.

(Preço médio nacional: R$ 110,18 por botijão de 13 kg. Esse valor refere-se à semana de 22 a 28 de março de 2026 – última divulgação completa da ANP disponível até o momento, em 1º de abril de 2026. Variação na semana: +0,25% – leve alta em relação à semana anterior. Imagem: Flávio Tavares/O Tempo)
Risco de controle de preços e desabastecimento
A transcrição também levanta o risco de medidas como controle ou congelamento de preços.
Do ponto de vista econômico, há consenso entre especialistas de que limitar preços artificialmente pode gerar desabastecimento. Isso ocorre porque:
- Produtores e distribuidores deixam de ter incentivo para ofertar o produto;
- A demanda permanece alta;
- O resultado é escassez no mercado.
Esse fenômeno já foi observado em diferentes países e momentos históricos.
Fertilizantes e efeito no agronegócio
Outro ponto importante é a alta no preço da ureia, um dos principais fertilizantes utilizados na agricultura.
O aumento dos fertilizantes pode ter efeito em cadeia:
- Eleva o custo de produção agrícola;
- Pressiona os preços dos alimentos;
- Impacta a inflação geral.
O Brasil, grande importador de fertilizantes, é especialmente sensível a variações no mercado internacional.
Inflação: visões divergentes
A transcrição apresenta uma visão crítica de que a inflação seria causada principalmente pelo aumento de gastos públicos e arrecadação estatal.
No entanto, economistas destacam que a inflação é um fenômeno multifatorial, envolvendo:
- Política fiscal;
- Política monetária;
- Câmbio;
- Preços internacionais;
- Choques de oferta (como guerras e crises logísticas).
Ou seja, não há uma única causa isolada.
Petrobras no centro do debate
A Petrobras aparece como peça-chave na discussão. Como estatal com forte influência no mercado, suas decisões de preços impactam toda a cadeia de combustíveis.
Os reajustes seguem, em maior ou menor grau, o mercado internacional. Mudanças na política de preços da empresa frequentemente geram debate político, especialmente quando afetam diretamente o custo de vida da população.
Alta dos preços
O aumento dos combustíveis no Brasil é resultado de uma combinação de fatores:
- Política tributária interna;
- Oscilações do mercado internacional;
- Decisões da Petrobras;
- Custos logísticos e de produção.
A declaração de Lula intensificou um debate que já é sensível e recorrente no país. Enquanto há divergências sobre responsabilidades e soluções, especialistas apontam que medidas estruturais e previsibilidade regulatória são fundamentais para evitar crises recorrentes no setor.
📍Referências:
▶️ https://www.cnnbrasil.com.br/politica…
▶️ https://www.gazetadopovo.com.br/repub…
▶️ https://www.investing.com/commodities…
▶️ https://economia.uol.com.br/noticias/…
▶️ https://www1.folha.uol.com.br/mercado…
▶️ https://www.poder360.com.br/poder-agr…
▶️ https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2022/04/29/governo-bolsonaro-tem-o-menor-e-o-maior-preco-da-gasolina-em-20-anos.htm
▶️ https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/anp-valor-medio-da-gasolina-chega-a-r-73-maior-da-serie-historica/
▶️ https://g1.globo.com/carros/noticia/2024/01/03/preco-da-gasolina-sobe-125percent-nos-postos-em-2023-▶️ veja-a-variacao-dos-combustiveis-no-1o-ano-de-lula-3.ghtml
https://www.reuters.com/fact-check/portugues/XIJEGT7JGZMLLITGIJOHFX42ZA-2026-01-29/
📲 REDES SOCIAIS:
📣 Política do Bem: https://www.instagram.com/portalpoliticadobem/









