
Brasília não nasceu do zero
A narrativa de que a capital foi erguida sobre uma folha em branco apaga décadas de disputas, territórios e raízes que antecedem 1960. É exatamente essa memória oculta que o cineasta e produtor cultural Pedro Lacerda busca resgatar em seu novo projeto, o documentário Terra Quente.
Investigando as origens da grilagem de terras e da regularização fundiária no Distrito Federal, a produção une rigor e coragem ao trazer depoimentos exclusivos:
- Herdeiros das sesmarias do Planalto Central;
- Donos de cartórios e historiadores locais;
- Lideranças políticas, como o senador Izalci (autor da lei de regularização fundiária do DF).
A arte de honrar legados
Liderar grandes narrativas não é novidade para Pedro. Reconhecido na cena do audiovisual brasileiro pelo compromisso com a identidade e o storytelling de impacto, ele traz no currículo uma das histórias mais emblemáticas do cinema independente nacional: a conclusão do longa “Fuga Sem Destino” (2006).

Após a morte precoce do lendário Afonso Brazza — o bombeiro militar apelidado de “Rambo do Cerrado” —, Lacerda honrou uma promessa feita ao amigo no leito de morte. Assumiu a pós-produção do filme e levou a obra até o Festival de Brasília, imortalizando um elenco icônico que marcou época na capital (com nomes como Paulinho Madrugada, Carlinhos Beauty e Liliane Roriz).
O valor da memória estratégica
Quem não conhece de onde veio, não controla para onde vai. Terra Quente promete não apenas chacoalhar o resgate histórico de Brasília, mas também redefinir o debate sobre desenvolvimento urbano e soberania territorial no Cerrado.
O documentário está em fase de finalização e ainda sem data de lançamento.






