(Na montagem, o advogado Kevin Marques de Carvalho, filho do ministro do STF Cássio Nunes Marques. Imagem gerada por inteligência artificial)
O caso envolvendo o Banco Master e decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após a divulgação de movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As informações surgem em meio a um julgamento ainda em andamento, o que levanta discussões sobre possíveis pressões internas na Corte.
Repasses a consultoria ligada a filho de Nunes Marques
De acordo com dados citados, o Coaf identificou repasses que somam cerca de R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS a uma empresa de consultoria tributária. Essa consultoria, por sua vez, teria contratado o escritório do advogado Kevin Marques de Carvalho, filho do ministro do STF Cássio Nunes Marques.
Desse total, aproximadamente:
- R$ 6,6 milhões teriam origem no Banco Master;
- R$ 11 milhões estariam ligados à JBS.
No entanto, os pagamentos diretamente relacionados ao filho do ministro somariam cerca de R$ 281 mil no período analisado.
Relembrando quem é a JBS
A JBS representa as iniciais de seu fundador, José Batista Sobrinho (“Zé Mineiro”), que iniciou a empresa como um pequeno açougue em 1953, em Anápolis (GO). Hoje, a JBS é a maior empresa de processamento de carne do mundo e uma das maiores indústrias de alimentos, controlando marcas como Friboi, Seara e Swift.
A JBS esteve envolvida em diversos escândalos de corrupção, fraudes financeiras e questões ambientais/trabalhistas ao longo dos anos, com destaque especial para os eventos de 2017.
Os principais episódios incluem:
- Delação Premiada da J&F (2017): Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F que controla a JBS, firmaram acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Eles confessaram o pagamento de R$ 400 milhões em propinas a políticos e servidores, incluindo presidentes da República;
- Gravação de Michel Temer: Joesley Batista gravou uma conversa com o então presidente Michel Temer, na qual Temer supostamente dava aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados;
- Manipulação de Mercado (Insider Trading): Os irmãos Batista foram acusados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo MPF de utilizar informações privilegiadas (a própria delação) para lucrar com a compra de dólares e venda de ações da JBS antes do impacto dos depoimentos no mercado financeiro;
- Operações Capitu e Bullish: A JBS foi alvo de investigações que apuraram corrupção no Ministério da Agricultura (Operação Capitu) e fraudes e favorecimentos em empréstimos concedidos pelo BNDES (Operação Bullish);
- Trabalho Escravo e Ambiental: A empresa já teve seu nome associado a casos de trabalho escravo e questões ambientais;
- Investigações nos EUA (2025): Em 2025, houve relatos de que o Departamento de Justiça dos EUA investigava a JBS por formação de cartel e manipulação de preços da carne, junto com outras grandes processadoras;
- “Lista Suja” do Trabalho Escravo: No final de 2025, a JBS foi incluída na “lista suja” do trabalho escravo por decisão judicial.
Apesar dessas controvérsias, a JBS seguiu crescendo, com os irmãos Batista reassumindo o controle do grupo e a empresa buscando listagem no mercado americano

Apesar do esforço para repaginar sua imagem, a JBS é associada a práticas socioambientais questionáveis por organizações ambientalistas (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)
Incompatibilidade financeira levanta suspeitas
Segundo o Coaf, a empresa de consultoria declarou faturamento de cerca de R$ 2,5 milhões, valor considerado incompatível com os montantes movimentados. Parte das transações também foi classificada como possivelmente sem origem formal comprovada.
A empresa afirmou, em nota, que prestou serviços como:
- Auditoria tributária;
- Consultoria fiscal;
- Desenvolvimento e implantação de sistemas;
- Processamento e migração de dados;
Defesa do filho do ministro
O advogado Kevin Marques declarou que os valores recebidos são lícitos e decorrentes de atuação regular na área tributária administrativa. Segundo ele, não houve atuação em processos no STF, o que, em tese, afastaria conflito de interesse direto com o cargo do pai.

(O advogado Kevin Nunes Marques, filho do ministro Nunes Marques Foto: Reprodução/Estadão)
Contexto político e judicial
A divulgação dessas informações ocorre em um momento sensível: o STF julga questões relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Até o momento:
- Ministros como André Mendonça e Luiz Fux votaram pela manutenção da prisão;
- Cássio Nunes Marques também votou no mesmo sentido, o que foi considerado inesperado.
O julgamento ainda não foi concluído, pois falta o voto de Gilmar Mendes.
Possibilidade de mudança de votos
Especialistas apontam que, enquanto o julgamento não é finalizado, os ministros ainda podem alterar seus votos. Isso significa que o resultado permanece aberto até a manifestação final.
Há também a possibilidade de:
- Voto intermediário;
- Mudança de entendimento por outros ministros;
- Eventual revisão da decisão coletiva.
Suspeitas de pressão interna
A proximidade entre a divulgação das informações financeiras e o julgamento levou a interpretações de que poderia haver tentativa de pressão sobre o ministro Nunes Marques para alterar seu voto.
Essa hipótese se baseia no timing dos vazamentos e no impacto político do caso, embora não haja comprovação formal dessa relação.
Comparações com outros ministros
O caso também foi comparado a situações envolvendo outros membros do STF, citando:
- Supostos contratos ou valores mais elevados ligados a outros ministros;
- Diferenças na natureza das relações (diretas ou indiretas).
Ainda assim, as situações possuem características distintas e não foram analisadas oficialmente em conjunto.
Papel de Gilmar Mendes no desfecho
O voto de Gilmar Mendes, ainda pendente, é considerado relevante não apenas para o resultado imediato, mas também para possíveis desdobramentos futuros.
Há expectativa de que seu posicionamento:
- Traga críticas a investigações ou procedimentos;
- Levante questionamentos sobre a validade de provas;
- Possivelmente abra caminho para discussões sobre nulidades.
O que ainda está em jogo
Apesar de já haver maioria inicial pela manutenção da prisão de Vorcaro, o julgamento segue aberto. Até sua conclusão:
- Ministros podem rever posições;
- O resultado pode ser alterado;
- Novos elementos podem influenciar o caso.
Interseção financeira, jurídica e política
O caso do Banco Master evidencia a interseção entre questões financeiras, jurídicas e políticas no âmbito do STF. A divulgação de movimentações suspeitas envolvendo familiares de ministros, somada ao contexto de julgamento em andamento, amplia a complexidade do cenário e mantém o desfecho em aberto.
📍 Referências:
▶️ https://oantagonista.com.br/brasil/os…
▶️ https://revistaoeste.com/politica/mas…
▶️ https://cbn.globo.com/programas/jorna…
▶️ https://atarde.com.br/politica/o-reca…
🚨 Matérias e fontes dos principais episódios da JBS:
1. Delação Premiada da J&F e Gravação de Michel Temer (2017)
- O Globo: Joesley Batista grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha;
- G1: Delação da JBS: o que disseram os donos e executivos da empresa.
2. Manipulação de Mercado (Insider Trading)
- CVM/Valor Econômico: CVM condena Wesley Batista por ‘insider trading’ em caso de 2017 (Nota: Houve absolvições parciais e condenações em diferentes instâncias da CVM ao longo dos anos);
- El País Brasil: A prisão dos irmãos Batista por lucrar com a própria delação.
3. Operações Capitu e Bullish (BNDES e Agricultura)
- Operação Capitu (G1): PF prende Joesley Batista e vice-governador de MG em operação sobre esquema na Agricultura;
- Operação Bullish (Época Negócios): PF investiga fraudes em aportes do BNDES na JBS.
4. Trabalho Escravo e Questões Ambientais
- Repórter Brasil: JBS comprou gado de desmatadores da Amazônia, aponta investigação;
- Poder360: Justiça determina inclusão da JBS na “lista suja” do trabalho escravo (Referente ao caso de 2024/2025).
5. Investigações nos EUA (Cartel e Manipulação de Preços)
- UOL Economia: EUA investigam gigantes da carne por suspeita de cartel;
- Reuters: JBS e outras processadoras fecham acordo em processo de fixação de preços de carne suína nos EUA.
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