(Imagem gerada por Inteligência Artificial)
Um novo episódio da crise estrutural em Cuba ganhou destaque após o colapso da rede elétrica que deixou grande parte do país sem energia. O episódio ocorre em meio a um cenário já fragilizado, marcado por dificuldades econômicas, escassez de recursos e pressão por mudanças no modelo vigente.
Apagão evidencia agravamento da crise
O sistema elétrico cubano entrou em colapso total, interrompendo serviços essenciais em todo o território. A situação já vinha sendo considerada crítica há meses, com falhas recorrentes no fornecimento de energia.
O apagão reforça o quadro de deterioração da infraestrutura do país, que enfrenta limitações históricas de investimento e manutenção.

(Cubanos se reúnem em uma rua de Havana durante a noite, em meio a um apagão nacional provocado por falha no sistema elétrico. Foto: Adalberto Roque)
Disputa de narrativas: embargo x modelo econômico
O episódio reacendeu o debate sobre as causas da crise cubana.
Uma corrente atribui os problemas ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, que restringe relações comerciais diretas entre os dois países. Outra interpretação aponta o modelo econômico centralizado como principal fator da estagnação e da precariedade estrutural.
Apesar das restrições, Cuba mantém relações comerciais com diversos países, inclusive com os próprios Estados Unidos em determinados setores, que ainda figuram entre os principais fornecedores de produtos à ilha, como – por exemplo – petróleo, combustíveis, gás, alimentos (frango, carne, soja, milho e outros produtos agrícolas essenciais) e material médico (medicamentos, suprimentos hospitalares e equipamentos médicos autorizados).

(Foto de 1998 mostra faixa contra o bloqueio a Cuba na tradicional manifestação de 1º de Maio em Havana — Foto: AFP/Adalberto Roque)
Histórico do embargo e tensões com os EUA
O embargo norte-americano tem origem em disputas após a Revolução Cubana, quando propriedades de empresas estrangeiras foram nacionalizadas sem compensação, gerando impasses diplomáticos.
A nacionalização de propriedades estrangeiras foi um marco decisivo na consolidação da Revolução Cubana após 1959. Antes disso, a economia da ilha era fortemente dependente dos Estados Unidos, com empresas americanas controlando setores estratégicos como açúcar, energia, bancos e telecomunicações, sob a proteção do governo de Fulgêncio Batista. Com a chegada de Fidel Castro ao poder, o novo governo passou a implementar medidas para aumentar a soberania nacional, incluindo a Reforma Agrária de 1959 e, posteriormente, a Lei nº 851 de 1960, que autorizou a expropriação de empresas estrangeiras — especialmente americanas — sem compensação efetiva, o que gerou forte reação internacional.

(Fulgêncio Batista, político cubano, em fotografia de 1955)
Esse processo desencadeou uma crise diplomática e econômica com os Estados Unidos, que responderam com sanções comerciais, incluindo o corte das importações de açúcar e a imposição de um embargo quase total a partir de 1960. A escalada culminou na ruptura oficial das relações diplomáticas em 1961 e levou Cuba a se aproximar da União Soviética, que passou a sustentar economicamente a ilha. Esse alinhamento inseriu definitivamente Cuba no contexto da Guerra Fria e consolidou o caráter socialista do regime, aprofundando a divisão política e econômica que perdura até hoje.
Desde então, a relação bilateral permanece marcada por sanções e negociações pontuais.

(Origem da foto: Estudos Históricos. Na imagem histórica de Moscou-RUS em 30 de abril de 1963.
Leonid Brezhnev, importante dirigente soviético – sobrancelhas grossas e expressão mais rígida. Fidel Castro, líder da Revolução Cubana e então primeiro-ministro de Cuba – barba marcante e uniforme militar. Nikita Khrushchev, líder da União Soviética – careca, com rosto arredondado e traje formal)
O regime socialista é um modelo político e econômico em que o Estado concentra o controle dos meios de produção e da distribuição de recursos, com a proposta de promover igualdade social. No entanto, sob uma ótica crítica, esse sistema tende a gerar excesso de centralização de poder, ineficiência econômica, redução de incentivos à produtividade e, em muitos casos históricos, restrições às liberdades individuais, sendo também associado por críticos a cenários de miséria, pobreza, desigualdade persistente, escassez de alimentos, precariedade na saúde, falta de saneamento básico e limitações na qualidade e no desenvolvimento intelectual da educação.

(Foto: Norberto Paredes – BBC News Mundo, Abril de 2025)
Abertura econômica e sinalização de mudanças
Em meio à crise, autoridades cubanas sinalizaram medidas que indicam uma possível flexibilização econômica.
Entre os principais pontos anunciados estão:
- Autorização para cubanos residentes no exterior investirem no país;
- Possibilidade de aquisição de imóveis e participação em negócios;
- Abertura de contas bancárias, inclusive em moeda estrangeira;
- Parcerias com empresas locais e estatais;
- Participação em projetos de infraestrutura, turismo e energia.
As medidas indicam uma tentativa de atrair capital externo, especialmente com foco especial na comunidade cubana no exterior, formada por cidadãos que emigraram ao longo do tempo por razões de preconceito ou perseguições políticas, econômicas ou sociais (diáspora cubana).
Comparações com reformas soviéticas
As mudanças têm sido comparadas às políticas de abertura implementadas na antiga União Soviética, como a Perestroika e a Glasnost, promovidas por Mikhail Gorbachev nos anos finais do regime soviético.
Enquanto a Perestroika focava na reestruturação econômica, a Glasnost ampliava a liberdade de expressão. Ambas marcaram um período de transição que culminou no fim da União Soviética.
Analistas divergem sobre os possíveis impactos de medidas semelhantes em Cuba.
Mudanças políticas e ausência de liderança pública
Outro ponto destacado é a ausência recente de pronunciamentos do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante os acontecimentos mais recentes.
Em contraste, declarações públicas têm sido conduzidas por outras figuras ligadas ao governo, o que levanta especulações sobre rearranjos internos no poder.

(Presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel e Lula — Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Desigualdade e mercado interno
A recente autorização para abertura de lojas privadas de alimentos também trouxe novos desafios.
Apesar da ampliação da oferta, os preços praticados são considerados elevados para a maioria da população, limitando o acesso e evidenciando desigualdades no consumo.
Investimentos e insegurança jurídica
Especialistas apontam que um dos principais entraves para atração de investimentos estrangeiros é a insegurança jurídica, especialmente devido ao histórico de nacionalizações sem compensação.
A efetividade das novas medidas dependerá, em grande parte, das garantias oferecidas aos investidores.
Cenário futuro: transição e incertezas
A abertura econômica pode representar uma oportunidade de recuperação no longo prazo, mas especialistas alertam que o processo tende a ser gradual e potencialmente turbulento.
Experiências históricas indicam que transições desse tipo podem gerar impactos sociais significativos antes de eventuais ganhos econômicos.
Ajuda internacional e impacto limitado
Iniciativas de envio de ajuda humanitária, como doações de alimentos, também foram mencionadas no contexto da crise. No entanto, analistas avaliam que ações pontuais têm impacto limitado diante da dimensão estrutural dos problemas enfrentados pelo país.
📍 Referências:
▶️ https://www.infomoney.com.br/mundo/re…
▶️ https://www.cnn.com/2026/03/16/americ…
▶️ https://x.com/glevycordeiro/status/20…
▶️ https://www.bbc.com/portuguese/articl…
▶️ https://www.infobae.com/america/mundo…
▶️ https://www.elnuevoherald.com/noticia…
▶️ https://diariodecuba.com/economia/177…
▶️ https://x.com/agusantonetti/status/20…
▶️ https://www.nytimes.com/2026/03/16/wo…
▶️ https://www1.folha.uol.com.br/colunas…
▶️ https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9djn9qwnp4o
📲 REDES SOCIAIS:
📣 Política do Bem: https://www.instagram.com/portalpoliticadobem/









