(À esquerda, Nikolas Ferreira; à direita, Janja Lula da Silva. Imagem gerada por inteligência artificial)
A recente saída de dois assessores ligados à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, chamou atenção nos bastidores de Brasília. Foram exonerados o fotógrafo Cláudio Adão dos Santos Souza, conhecido como Claudinho, responsável pelos registros em viagens oficiais, e a assessora especial Tchenna Maso.
Ambos deixaram os cargos por “motivos pessoais”, como proximidade da família e novas oportunidades profissionais. No entanto, o fato de as exonerações não constarem como “a pedido” no Diário Oficial levanta dúvidas e alimenta especulações de que possam ter sido dispensados.
Outro ponto que amplia a controvérsia é a existência de um chamado “gabinete informal” da primeira-dama. Embora Janja não ocupe cargo público eletivo ou função oficial na administração federal, há uma equipe dedicada a auxiliá-la, vinculada ao gabinete pessoal do presidente.
Debate sobre legalidade e uso da estrutura pública
A existência dessa estrutura tem sido alvo de críticas, especialmente por opositores do governo, que questionam a legalidade e a legitimidade do uso de recursos públicos para manter uma equipe ligada à primeira-dama.
A crítica central é que, por não exercer função institucional formal, Janja não deveria contar com equipe própria custeada pelo Estado. Por outro lado, apoiadores do governo argumentam que primeiras-damas historicamente desempenham papéis institucionais e sociais, o que justificaria algum nível de suporte.
Repercussão de vídeo nas redes sociais
As demissões também coincidem com a repercussão de um vídeo publicado pelo deputado Nikolas Ferreira, que criticou a atuação de Janja.
O conteúdo alcançou dezenas de milhões de visualizações, superando amplamente um vídeo da própria primeira-dama. A diferença de alcance foi interpretada por críticos como sinal de desgaste na imagem pública de Janja nas redes sociais.
Entre os pontos levantados no vídeo estão acusações de gastos excessivos e críticas à forma como determinados temas, como misoginia, são abordados no debate público.

(Do lado esquerdo, Nikolas Ferreira rebate, ponto a ponto, o vídeo de Janja sobre misoginia, alcançando 26,3 milhões de visualizações, 2,9 milhões de curtidas e 241 mil comentários. Já do lado direito, Janja soma 1 milhão de visualizações, 122 mil curtidas e 8.532 comentários em seu vídeo sobre a importância da Lei de Misoginia. Dados coletados em 31/03/2023 às 21h. Fonte: Instagram: @nikolasferreiradm e @janjalula)
Nikolas Ferreira rebate críticas de Janja, acusando o governo Lula de incoerência na defesa das mulheres, uso político da pauta da misoginia e omissão em casos relevantes. Ele também tenta associar políticas do PT ao aumento da violência e critica gastos públicos e prioridades do governo.
Pontos principais do vídeo
1. Acusação de manipulação e “controle de discurso”
- Afirma que o projeto sobre misoginia não protege mulheres, mas serve para controlar o que pode ser dito.
- Diz que o governo tenta censurar opiniões divergentes, especialmente da direita.
2. Crítica ao governo Lula sobre violência contra mulheres
- Alega que:
- Houve aumento na morte de mulheres durante governos do PT;
- O Brasil atingiu recordes recentes de violência contra mulheres;
- Usa isso para dizer que o governo não resolve problemas reais, apenas cria narrativa.
3. Acusação de “hipocrisia” e “silêncio seletivo”
- Critica Janja por:
- Não se posicionar contra falas ou atitudes de aliados (ex: filho de Lula, ministros);
– O filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva (também chamado de Lulinha), chamou Janja (Rosângela Lula da Silva) de: “P*ta” (puta) e “Oportunista”;
– Lulinha também foi acusado, em abril de 2024, pela então companheira, de agressão física e violência psicológica; - Se manifestar apenas quando convém politicamente;
- Não se posicionar contra falas ou atitudes de aliados (ex: filho de Lula, ministros);
- Chama isso de “defesa seletiva das mulheres”.
4. Casos citados como incoerência do governo
- Caso de Silvio Almeida – assédio
– nomeado por Lula como Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania em janeiro de 2023. Em 6 de setembro de 2024, foi demitido;
– motivo da demissão: diversas mulheres relataram comportamentos inadequados, como toques sem consentimento, beijos forçados, falas de cunho sexual. Entre as denunciantes, foi citado o nome da ministra Anielle Franco; - Suposta agressão à jornalista Delis Ortiz
– um agente de segurança que atuava durante a visita de Nicolás Maduro ao Brasil teria a agredido; - Demissões de mulheres no governo para dar espaço a homens
– exemplos: Daniela Carneiro (Turismo) saiu e entrou Celso Sabino (União Brasil); Ana Moser (Esporte) saiu e entrou André Fufuca (PP); Rita Serrano (Caixa Econômica Federal) saiu e entrou Carlos Antônio Vieira Fernandes; - Relação de Lula com o ditador Nicolás Maduro
– Maduro é acusado, nos Estados Unidos, de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, importação de drogas, posse e uso de armas de guerra e conspiração armada. Além disso, é alvo de investigações internacionais por execuções extrajudiciais, tortura, prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados, perseguição política e violência contra opositores, entre outros crimes. Atualmente, segue preso nos Estados Unidos, na cidade de Nova York no Metropolitan Detention Center (MDC), em Brooklyn. Foi capturado em 3 de janeiro de 2026 em Caracas (VEN).
5. Crítica à esquerda e ao PT
- Afirma que o PT vota contra propostas que preveem penas e medidas mais duras contra criminosos. Exemplos:
– Castração química (para crimes sexuais): PT, PSOL e PCdoB votaram contra;
– Redução da maioridade penal: PT, PSOL, PCdoB, PDT (em grande parte) setores da REDE e PSB votaram contra;
– Cadastro de pedófilos especialmente contra crianças: PT, PSOL, PCdoB e setores do PDT e PSB votaram contra; - Prioriza narrativa política em vez de segurança pública;
- Acusa o partido de proteger criminosos indiretamente.
6. Defesa da própria atuação como deputado federal
- Afirma que:
- Vota por aumento de penas para crimes (estupro, pedofilia, etc.);
- Isso sim seria proteger mulheres na prática.
7. Crítica a gastos e estilo de vida
- Acusa Janja e o governo de:
- Gastar dinheiro público (viagens, comunicação);
- Não priorizar problemas reais da população.
8. Comparações e ataques políticos
- Faz comparações com:
- Nicolás Maduro (para criticar proximidade do governo);
- Ironiza Janja e critica diretamente sua imagem e comunicação.
9. Segurança pública como foco central
- Argumenta que:
- O maior risco às mulheres é a criminalidade, não o discurso;
- Governo falha em combater criminosos e melhorar segurança.
10. Crítica ao uso da pauta de misoginia
- Diz que o termo está sendo usado para:
- Desqualificar adversários políticos;
- Criar narrativa eleitoral.
11. Ataque final e estratégia política
- Afirma que:
- O governo tenta “enganar” a população;
- A reprovação popular seria alta;
- Ironiza Janja e diz que ela deveria continuar falando, pois isso prejudicaria o governo.
Essência do discurso
Nikolas constrói a narrativa de que:
- O governo usa a pauta feminina de forma política;
- Não combate a violência de forma efetiva;
- E tenta censurar opositores sob o argumento de misoginia.
Gastos e viagens internacionais entram no centro da discussão
Outro tema que ganhou destaque envolve despesas relacionadas a viagens internacionais. Reportagens apontam que a primeira-dama participou de agendas no exterior com suporte do Ministério das Relações Exteriores.
Além disso, surgiram questionamentos sobre o uso de residências oficiais do Brasil em outros países para hospedagem de convidados, incluindo figuras públicas como o humorista Fábio Porchat.

(Fábio Porchat e Astrid Fontenelle declaram apoio a Lula – vídeo. Foto: Reprodução/Twitter)
Dados indicam que a manutenção dessas estruturas no exterior envolve custos significativos ao governo federal, o que intensificou o debate sobre transparência e uso de recursos públicos.
Os gastos com viagens no governo federal durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm chamado atenção por alcançarem níveis elevados e consecutivos recordes anuais, segundo dados do Portal da Transparência analisados por veículos como Metrópoles, Poder360, Gazeta do Povo e Revista Oeste.
Crescimento contínuo das despesas
Entre 2023 e 2025, as despesas totais com viagens a serviço — que incluem passagens, diárias e locomoção de servidores e autoridades — somaram aproximadamente R$ 7 bilhões.
Os números mostram uma tendência de alta contínua:
- 2023: cerca de R$ 2,28 bilhões;
- 2024: entre R$ 2,31 e R$ 2,37 bilhões;
- 2025: entre R$ 2,35 e R$ 2,44 bilhões.
O ano de 2025 consolidou o terceiro recorde consecutivo, indicando um padrão de crescimento nas despesas do Executivo com deslocamentos oficiais.

(Janja em Paris, França. Crédito: @Janjalula via X, antigo Twitter)
2026 já começa com ritmo elevado
Mesmo no início de 2026, os gastos seguem em ritmo significativo. Até o começo de março, já foram registrados cerca de R$ 126,4 milhões, sendo:
- R$ 69,6 milhões em diárias;
- R$ 56,1 milhões em passagens.
Levantamentos apontam ainda que apenas nos primeiros 40 dias do ano o custo já havia alcançado R$ 33,5 milhões, reforçando a manutenção do alto nível de despesas.
Viagens presidenciais no foco
Embora os dados gerais envolvam todo o Executivo, as viagens internacionais do presidente também entram no debate público.
Em 2025, os custos dessas viagens variaram entre R$ 44,4 milhões e R$ 52 milhões, dependendo da fonte analisada. Entre os principais gastos, destacam-se:
- Hospedagem: cerca de R$ 19,9 a R$ 20 milhões;
- Aluguel de veículos (incluindo blindados): aproximadamente R$ 20 a R$ 21 milhões.
A viagem mais cara registrada foi à França, com custo estimado em R$ 12 milhões em apenas seis dias.
Falta de transparência em parte dos custos
Um ponto relevante é que os valores divulgados não incluem todos os custos das viagens presidenciais.
Isso porque deslocamentos do presidente e da primeira-dama utilizam aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), cuja contabilidade não é detalhada publicamente da mesma forma.
Essa limitação dificulta uma visão completa dos gastos totais com viagens de alto escalão do governo.

(InterContinental Paris Le Grand – Paris, França) — viagem de junho de 2025. Diária da suíte presidencial: mais de € 10.000, aproximadamente R$ 64.000 por noite, dependendo da cotação do euro)
Sigilo sobre lista de convidados gera questionamentos
Um dos pontos mais controversos envolve a negativa do Itamaraty em divulgar, via Lei de Acesso à Informação, a lista de pessoas hospedadas em residências oficiais brasileiras no exterior.
O órgão justificou a recusa alegando que atender ao pedido demandaria trabalho desproporcional e poderia comprometer suas operações. Críticos, no entanto, argumentam que as informações já existem e deveriam ser disponibilizadas, reforçando a necessidade de transparência.
Comparações políticas e disputa narrativa
A situação também reacende comparações com gestões anteriores, especialmente em relação ao uso de sigilos e gastos públicos. Críticos do governo atual afirmam que há incoerência entre discursos passados e práticas atuais.
Esse embate reflete a polarização política no país, em que episódios administrativos rapidamente ganham dimensão eleitoral e passam a ser utilizados como argumento por diferentes campos ideológicos.
Impacto político e percepção pública
Analistas apontam que a imagem da primeira-dama pode influenciar a percepção do governo, especialmente em segmentos específicos do eleitorado, como o público feminino.
A exposição de temas como gastos, estrutura de apoio e presença em agendas internacionais tende a permanecer no centro do debate público, sobretudo em um cenário pré-eleitoral.
📍 Referências:
▶️ ://www.metropoles.com/colunas/ig…
▶️ https://www.metropoles.com/colunas/an…
▶️ Vídeo de Janja: https://www.youtube.com/shorts/ap2ZADbKvu0
▶️ Vídeo de Nikolas rebatendo Janja: https://www.youtube.com/watch?v=zzz-U7l8Amw










