Cúpula do Congresso sinaliza votação do PL da Dosimetria em março em troca de alívio na pressão por CPI do Banco Master, diz Folha

Articulação envolve derrubada de veto de Lula que reduziria penas de condenados pelo 8 de Janeiro, incluindo Bolsonaro; caso do banco envolve fraudes e possíveis ligações políticas

Brasília, 23 de fevereiro de 2026 — A cúpula do Congresso Nacional — formada por lideranças da Câmara e do Senado — sinalizou que pode convocar, já no início de março, uma sessão conjunta para analisar o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria (Projeto de Lei que altera regras de cálculo de penas e progressão de regime). A condição principal: que a oposição diminua a pressão pela instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar irregularidades e fraudes no Banco Master.

A informação é da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (22/02/2026), com base em apuração junto a parlamentares da base e da oposição. Para analisar vetos presidenciais, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), precisa convocar sessão conjunta de deputados e senadores — o que ainda não ocorreu para os 73 vetos pendentes, incluindo este.

O PL da Dosimetria (originalmente PL 2.162/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella e relatado por Esperidião Amin no Senado) foi aprovado pelo Congresso no final de 2025 e vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro de 2026. A proposta altera a Lei de Execução Penal e permite redução significativa no tempo efetivo de cumprimento de pena em regime fechado para condenados por múltiplos crimes no mesmo contexto (como os atos de 8 de Janeiro de 2023 e a trama golpista de 2022).

Estimativas apontadas pela reportagem indicam que, para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — condenado pelo STF em processo relacionado aos eventos —, o tempo em regime fechado poderia cair de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da aplicação de atenuantes, trabalho e estudo. A medida beneficiaria também outros réus nos mesmos processos.

A articulação revelada pela Folha sugere uma possível troca política: o avanço (e provável derrubada do veto, dada a composição majoritária do centrão e da oposição) em troca de menor insistência na leitura do requerimento da CPMI do Banco Master — que já reuniu assinaturas suficientes, mas depende de Alcolumbre para ser instalada.

O caso Banco Master envolve investigações da Polícia Federal e do STF sobre fraudes bilionárias, desvio de recursos e possíveis ligações com figuras políticas e do Judiciário. O escândalo ganhou força após delações e operações recentes, gerando desgaste para o governo e para setores do centrão. O Planalto já detectou impacto negativo nas pesquisas e orientou reduzir menções públicas ao tema.

Líderes da oposição, especialmente do PL, pressionam pela dosimetria como forma de aliviar a situação de Bolsonaro e aliados condenados. Já o governo tenta blindar o caso Master para evitar que a comissão se torne palanque eleitoral em ano de eleições municipais e pré-2026.

Repercussões iniciais

Parlamentares bolsonaristas veem na sinalização uma oportunidade de avanço rápido.

Críticos do governo classificam a possível barganha como “acordão” para proteger investigados no Master.

O Planalto e aliados no Congresso ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a reportagem.

A sessão conjunta, se convocada, pode ocorrer logo após o Carnaval e o retorno pleno das atividades legislativas. Fique atento: o desfecho pode alterar o cenário jurídico-político de figuras centrais na polarização brasileira.

Fonte principal: Folha de S.Paulo – “Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar” (22/02/2026)