Silenciosa, progressiva e muitas vezes ignorada, a diabetes tipo 2 já atinge milhões de brasileiros — e quase metade das pessoas sequer sabe que tem a doença. Diferente do tipo 1, que costuma apresentar sintomas rápidos e intensos, o tipo 2 pode levar anos para ser diagnosticado, aumentando o risco de complicações graves como cegueira, amputações, problemas renais e cardiovasculares.
Para esclarecer dúvidas, explicar as diferenças entre os tipos de diabetes e orientar sobre prevenção e qualidade de vida, o programa Vitrine Saúde e Beleza conversou com a nutricionista Carol, especialista em educação em diabetes e mãe de uma criança com diabetes tipo 1. Na entrevista, ela explica por que a resistência à insulina é o grande sinal de alerta e como mudanças simples de estilo de vida podem evitar a doença.
ENTREVISTA
Ingrid Pitman: Carol, para começar, qual é o tamanho do problema da diabetes hoje no mundo?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Hoje vivemos uma verdadeira epidemia. São cerca de 590 milhões de pessoas com diabetes no mundo, e o dado mais preocupante é que quase 50% não sabem que têm a doença. Ou seja, milhões convivem com glicose alta sem diagnóstico e sem tratamento.
Ingrid Pitman: E desses casos, qual é o tipo mais comum?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Aproximadamente 90% são diabetes tipo 2. O tipo 1 representa cerca de 5% a 10%. Por isso é tão importante falar do tipo 2, que está muito ligado ao estilo de vida e pode ser prevenido ou até revertido quando identificado cedo.
Ingrid Pitman: Você pode explicar de forma simples a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Claro.
• Tipo 1: é autoimune. O corpo destrói as células do pâncreas que produzem insulina. A pessoa para de produzir insulina e precisa usar o hormônio para o resto da vida.
• Tipo 2: o corpo ainda produz insulina, mas cria resistência à ação dela. A glicose não entra direito nas células e o açúcar se acumula no sangue.
Ingrid Pitman: Por que a glicose alta é tão perigosa?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Porque o sangue fica “doce”, mais espesso, o que prejudica a circulação, principalmente nos vasos finos. Isso pode causar:
• problemas de visão (retinopatia)
• falência renal
• má cicatrização
• amputações
• doenças cardiovasculares
Muitas vezes a pessoa não morre “de diabetes”, mas das complicações causadas por ela.
Ingrid Pitman: O diabetes tipo 2 costuma dar sintomas?
Convidada – Ana Carolina Torrely
No início, quase nenhum. Por isso é perigoso. Ele é silencioso.
Quando aparecem, podem ser:
• sede excessiva
• muito cansaço
• urinar várias vezes
• visão turva
• dificuldade de cicatrização
• perda de peso inexplicada
Mas esperar sintomas é um erro. O ideal é rastrear antes.
Ingrid Pitman: Como a pessoa pode descobrir cedo se está desenvolvendo a doença?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Além da glicemia em jejum e da hemoglobina glicada, eu sempre recomendo pedir insulina basal. Esse exame mostra se o pâncreas já está trabalhando demais — sinal de resistência à insulina.
Muitas pessoas têm glicose normal, mas insulina altíssima. Isso já é alerta.
Ingrid Pitman: É possível reverter o quadro antes de virar diabetes?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Sim. E essa é a melhor notícia.
Na fase de resistência à insulina ou pré-diabetes, a mudança de hábitos pode normalizar tudo.
• alimentação equilibrada
• redução de ultraprocessados
• musculação ou exercícios
• controle de peso
• sono adequado
O músculo, por exemplo, ajuda a “captar” glicose. Por isso atividade física é fundamental.
Ingrid Pitman: A alimentação realmente impacta tanto assim?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Muito. Principalmente bebidas açucaradas.
Uma lata de refrigerante comum pode ter o equivalente a oito colheres de açúcar.
E não é só doce:
pão, massa, arroz branco, farinhas — tudo vira açúcar no organismo.
Não precisa cortar tudo, mas é preciso moderação e consciência.
Ingrid Pitman: E refrigerante zero?
Convidada – Ana Carolina Torrely
É menos pior para a glicose, mas não deve ser diário. Os adoçantes artificiais também têm impactos negativos. O ideal é consumir ocasionalmente.
Ingrid Pitman: Quem tem histórico familiar deve se preocupar mais?
Convidada – Ana Carolina Torrely
Com certeza. A genética é um fator importante. Eu gosto de dizer:
“A genética carrega a arma, mas o estilo de vida aperta o gatilho.”
Se há casos na família, o cuidado deve ser redobrado.
Ingrid Pitman: Você também falou sobre tecnologia. O que é o sensor de glicose?
Convidada – Ana Carolina Torrely
É um sensor que monitora a glicose 24 horas por dia sem precisar furar o dedo. Ele mostra gráficos e tendências. A pessoa consegue ver, por exemplo, como cada alimento afeta a glicemia. É um grande aliado para o autoconhecimento.
Ingrid Pitman: Para finalizar: receber o diagnóstico é uma sentença?
Convidada – Ana Carolina Torrely
De jeito nenhum.
Diabetes não é condenação, é um convite à mudança.
Com tratamento, informação e hábitos saudáveis, a pessoa vive plenamente, trabalha, pratica esportes, viaja, faz tudo.
O pior risco é a ignorância, não a doença.
Informação, prevenção e escolhas conscientes são as principais armas contra a diabetes tipo 2. Pequenas mudanças hoje podem evitar complicações graves no futuro — e garantir mais saúde e longevidade para toda a família.
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