Entrevistadora: Ingrid Pitman
Convidada: Gilmara Oliveira (servidora do INSS e educadora financeira)
Em Brasília, onde a cultura do concurso público é forte e a estabilidade parece sinônimo de segurança financeira, muitas famílias vivem uma realidade silenciosa: bons salários, mas desorganização, estresse e endividamento.
Foi exatamente esse o cenário vivido por Gilmara Oliveira, servidora do INSS e hoje educadora financeira. Mesmo com renda estável, ela e o marido enfrentavam o que ela define como “caos financeiro invisível” — contas pagas, mas sem planejamento, empréstimos recorrentes e conflitos dentro de casa.
Nesta entrevista conduzida por Ingrid Pitman, Gilmara fala sobre crenças limitantes, impulsividade, educação financeira para filhos, aposentadoria, ajuda exagerada à família e o conceito da “corrida dos ratos”. Uma conversa prática e profunda sobre consciência, responsabilidade e liberdade financeira.
Ingrid Pitman: Gilmara, como começou a sua história com a educação financeira?
Gilmara Oliveira:
Eu sou servidora pública e venho de uma família praticamente toda de servidores. Cresci ouvindo que estabilidade era sinônimo de segurança financeira. Meu marido também é servidor público e temos uma boa renda. Mas, mesmo assim, vivíamos um caos financeiro — só que não percebíamos.
Pagávamos as contas, às vezes entrávamos no cheque especial, fazíamos empréstimos achando que resolveria, e a vida seguia. Era sempre um paliativo. A famosa bola de neve.
Ingrid: E quando vocês perceberam que algo precisava mudar?
Gilmara:
Houve um momento de “basta”. Eu acreditava que nossa vida financeira iria melhorar, mas não fazia nada diferente. Era o que eu chamo hoje de “otimismo cego”.
Numa virada de ano, fiz uma oração muito intencional pedindo sabedoria. Eu dizia: “Tem gente que ganha menos que nós e vive melhor. O que eles sabem que a gente não sabe?” Foi quando conheci a educação financeira.
Ingrid: Como foi o começo prático dessa mudança?
Gilmara:
Começou com um mergulho interno. Antes de planilha, antes de números, foi entender meus comportamentos.
Eu dizia que minha família era meu maior valor, mas meu dinheiro não estava alinhado com isso. Não havia planejamento para viagens, experiências ou prioridades. O dinheiro era gasto no automático.
Depois comecei a estudar, fiz um curso, tive mentoria. Meu marido foi cético no começo — porque eu fugia do assunto dinheiro. Mas eu estava decidida.
Ingrid: Então educação financeira não é só sobre números?
Gilmara:
Não é sobre dinheiro. É sobre comportamento, hábitos e escolhas.
Planilha não muda a vida de ninguém se a mentalidade não mudar primeiro. Já atendi pessoas com planilhas impecáveis e completamente desorganizadas.
Educação financeira é autoconhecimento.
Ingrid: Você falou sobre a “corrida dos ratos”. O que é isso?
Gilmara:
É aquela imagem do ratinho correndo atrás do queijo na roda, mas nunca alcança.
Na vida financeira, é trabalhar, ganhar, gastar tudo, trabalhar mais, ganhar mais e gastar mais. A pessoa acredita que precisa ganhar mais para resolver, mas o problema não é a renda — é a forma de administrar.
Se você não sabe lidar com pouco, não saberá lidar com muito. O caos só aumenta proporcionalmente.
Ingrid: Muitas pessoas fazem empréstimos para viajar. Isso é comum?
Gilmara:
Muito comum. Mais do que imaginamos.
As pessoas vivem experiências, mas com culpa. Viajando e pensando: “Como vou pagar isso quando voltar?”
É diferente de viajar com planejamento. Quando há organização, você volta tranquilo. Quando não há, volta preocupado.
Ingrid: Como começar a organizar a vida financeira de forma prática?
Gilmara:
Primeiro: mapeamento financeiro.
- Liste todas as receitas.
- Liste todas as despesas fixas (aluguel, água, luz, escola).
- Depois, as variáveis (mercado, combustível, lazer).
- Defina metas de gasto para cada categoria.
Não é apenas anotar gastos depois que aconteceram. É dar nome ao dinheiro antes de gastar.
Dinheiro sem nome, some.
Ingrid: E sobre educação financeira para filhos?
Gilmara:
A mesada precisa ser pedagógica, não apenas dinheiro entregue.
Aqui em casa, cada filho revelou um perfil financeiro diferente: gastador, poupador, desligado.
Meu filho, por exemplo, queria participar de dois acampamentos. Ele decidiu economizar naquilo que não era prioridade para guardar para o que realmente queria.
Educar financeiramente é ensinar escolha e consequência.
Ingrid: Você falou sobre “reserva de segurança” em vez de “reserva de emergência”. Por quê?
Gilmara:
Prefiro o termo reserva de segurança porque transmite preparo, não medo.
Imprevistos existem — doença, acidente. Mas muitas coisas que as pessoas chamam de imprevisto são apenas falta de planejamento: IPVA, material escolar, casamento.
Não é imprevisto se acontece todo ano.
Ingrid: E quando aposentados sustentam a família inteira?
Gilmara:
Isso é muito comum e perigoso.
Existe algo chamado “ajuda exagerada”. Você precisa colocar sua máscara primeiro, como no avião. Dizer não também é um ato de amor.
Se você resolve sempre o problema do outro, ele nunca aprende a resolver o próprio.
Ingrid: Qual sua principal dica para quem está endividado hoje?
Gilmara:
Comece pequeno. Não espere janeiro. Comece agora.
Planeje os próximos três dias. Dê nome ao seu dinheiro. Assuma o compromisso consigo mesmo.
Educação financeira é responsabilidade pessoal. É você decidir honrar sua própria palavra.
A história de Gilmara Oliveira mostra que estabilidade financeira não depende apenas de renda — depende de consciência.
Educação financeira não é sobre cortar tudo, mas sobre alinhar dinheiro com valores. Não é sobre privação, mas sobre liberdade com responsabilidade.
Sair da “corrida dos ratos” começa quando entendemos que o problema não é quanto ganhamos, mas como administramos.
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