O governo dos Estados Unidos deve anunciar nos próximos dias a designação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, segundo informações atribuídas a fontes ligadas à administração do presidente Donald Trump. A medida estaria em fase final de tramitação dentro do governo norte-americano.
A informação foi inicialmente divulgada pela jornalista Mariana Sanches, que afirma ter apurado que a documentação necessária para a classificação já foi finalizada no Departamento de Estado e encaminhada para etapas finais de aprovação.
Processo dentro do governo dos EUA
De acordo com as informações divulgadas, o procedimento teria seguido os trâmites formais do governo americano.
Primeiro, a documentação foi elaborada e analisada pelo Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio. O cargo equivalente ao de Ministro das Relações Exteriores no Brasil. Em seguida, o material passou por outras agências do governo, que também deram parecer favorável.
Após essa etapa, o documento ainda deve ser encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos e posteriormente publicado no Federal Register, o registro oficial do governo. Todo esse processo pode levar aproximadamente duas semanas até a formalização da medida.
O que muda ao classificar facções como organizações terroristas
A designação de um grupo como Organização Terrorista Estrangeira (Foreign Terrorist Organization – FTO) implica uma série de sanções legais e financeiras.
Entre as principais consequências estão:
- Congelamento de ativos de integrantes ou pessoas ligadas ao grupo dentro dos Estados Unidos;
- Bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano;
- Proibição de apoio material, incluindo fornecimento de armas ou recursos;
- Restrições migratórias, impedindo entrada de associados ao grupo nos EUA.
Além disso, empresas ou instituições que mantenham qualquer tipo de relação com organizações classificadas como terroristas podem ser alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio do Office of Foreign Assets Control (OFAC). O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros é uma agência responsável por inteligência financeira e regulação econômica, vinculada ao Departamento do Tesouro, que atua na aplicação e fiscalização de sanções internacionais, incluindo o bloqueio de ativos e restrições a transações financeiras.
Possíveis impactos econômicos
Especialistas apontam que a medida também pode gerar impactos indiretos para empresas que operam em regiões onde essas organizações atuam.
Empresas norte-americanas que mantêm negócios em países afetados por organizações designadas como terroristas costumam receber alertas de risco do governo dos EUA, o que pode reduzir investimentos ou aumentar exigências de compliance e fiscalização.
Esse tipo de situação já ocorreu em países como o México, após a intensificação das ações contra cartéis de drogas.
Relação com cartéis latino-americanos
O modelo de designação que pode ser aplicado ao PCC e ao Comando Vermelho segue o mesmo formato adotado anteriormente para grupos criminosos da América Latina, como:
- Cartel Jalisco Nueva Generación, no México (considerado a organização criminosa mais poderosa e violenta do México). Em 22 de fevereiro de 2026, as Forças Armadas do México realizaram uma operação em Tapalpa que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, fundador e líder supremo do cartel.
- Tren de Aragua, atualmente a organização criminosa transnacional mais poderosa da Venezuela, com operações que se estendem por toda a América Latina e Estados Unidos.
Nos últimos anos, autoridades americanas passaram a classificar algumas dessas organizações como “narcoterroristas”, devido à combinação de tráfico de drogas, violência armada e atuação transnacional.
O termo narcoterrorista define grupos que utilizam o terrorismo (violência extrema, atentados, medo) como ferramenta política para proteger e expandir suas atividades de narcotráfico. As três características principais são:
- (1) Financiamento Híbrido: A ideologia ou o controle territorial é financiado quase inteiramente pelo lucro do tráfico internacional de substâncias (como fentanil e cocaína);
- (2) Agressão ao Estado: O grupo não quer apenas vender drogas; ele ataca instituições, mata policiais, juízes e políticos para paralisar o sistema legal e governar territórios;
- (3) Táticas de Guerra: Uso de carros-bomba, drones explosivos, execuções públicas e bloqueios de cidades para intimidar a população e o governo.
Reação do governo brasileiro
Segundo relatos citados na reportagem, o tema teria sido comunicado ao governo brasileiro por meio de canais diplomáticos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria tomado conhecimento do avanço do processo em Washington e tentado iniciar conversas com autoridades americanas.
O governo brasileiro, até o momento, não anunciou formalmente qualquer intenção de classificar essas facções como organizações terroristas no país.
Cooperação internacional contra cartéis
O combate ao crime organizado transnacional tem sido apontado como prioridade da atual política externa de segurança dos Estados Unidos.
Dentro dessa estratégia, a Casa Branca teria promovido encontros com líderes latino-americanos para discutir ações conjuntas contra cartéis, gangues e organizações de narcotráfico na região.
Entre os líderes citados como participantes dessas articulações estariam:
- 🇦🇷 Javier Milei, presidente da Argentina;
- 🇸🇻 Nayib Bukele, presidente de El Salvador;
- 🇨🇱 José Antonio Kast, político chileno ligado à direita;
O objetivo dessas reuniões seria fortalecer uma coalizão regional para enfrentar crime organizado, narcotráfico, imigração ilegal e interferência de potências estrangeiras no continente.
Possibilidade de ações diretas contra cartéis
Em declarações anteriores, Donald Trump já mencionou a possibilidade de ações diretas contra cartéis de drogas, inclusive fora do território dos Estados Unidos.
Segundo relatos, esse tipo de cooperação já teria ocorrido em operações realizadas em conjunto com autoridades do México e do Equador, voltadas ao combate de organizações criminosas.
Debate sobre classificação no Brasil
A eventual decisão americana reacende um debate no Brasil sobre a classificação jurídica de facções criminosas como organizações terroristas.
Atualmente, a legislação brasileira trata o PCC e o Comando Vermelho como organizações criminosas, enquadradas principalmente na Lei nº 12.850/2013, principal pilar jurídico no Brasil para o combate ao crime organizado.
Especialistas apontam que qualquer mudança nessa classificação dependeria de alterações legais ou decisões políticas internas, além de discussões sobre os critérios que caracterizam terrorismo no país.
Caso confirmada, a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode representar uma mudança significativa na abordagem internacional ao crime organizado brasileiro.
A medida teria efeitos jurídicos, financeiros e diplomáticos, além de ampliar o debate sobre cooperação internacional e políticas de segurança pública na América Latina.
📍 Referências:
▶️ https://noticias.uol.com.br/colunas/m…
▶️ https://x.com/realpfigueiredo/status/…
▶️ https://www.metropoles.com/brasil/apo…
▶️ https://g1.globo.com/mundo/noticia/20…
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