Entrevistadora: Ingrid Pitman
Convidado: Dr. Luis Bianchi (Médico – Endocrinologista)
O culto ao “corpo perfeito”, as promessas milagrosas de hormônios nas redes sociais e o aumento da obesidade colocaram a endocrinologia no centro dos debates sobre saúde. Em entrevista ao programa Vitrine Saúde & Beleza, a apresentadora Ingrid Pitman conversa com o endocrinologista Dr. Luis Bianchi sobre reposição hormonal, menopausa, emagrecimento, fertilidade e, principalmente, os graves riscos do uso de anabolizantes.
Com linguagem direta e baseada em ciência, o médico faz um alerta contundente: hormônio só deve ser usado quando há deficiência comprovada — fora disso, pode significar doença, complicações cardiovasculares e até morte precoce.
Entrevista
Ingrid Pitman: Doutor, conte um pouco da sua trajetória. Por que escolheu a medicina e a endocrinologia?
Dr. Luis Bianchi: Desde o colégio eu gostava muito de biologia e química. Comecei a treinar ainda adolescente e me encantei pela fisiologia, principalmente pelos hormônios. Aquilo me fascinou. Fiz medicina na universidade pública, depois residência em clínica médica, mais anos como professor e, por fim, especialização em endocrinologia. Foram cerca de 12 anos de formação. Hoje trabalho principalmente com obesidade, diabetes, menopausa e distúrbios hormonais.
Ingrid: Existe “endocrinologista esportivo”?
Dr. Bianchi: Não. Essa não é uma especialidade reconhecida. O que surgiu foi um nicho de mercado voltado para prescrição de hormônios para fins estéticos, o que não é ético nem seguro. O Código de Ética Médica proíbe o uso comercial da medicina. Prescrever hormônio para quem é saudável só traz risco.
Ingrid: Quais são os perigos reais dos anabolizantes?
Dr. Bianchi: O principal é cardiovascular. O risco de morte pode aumentar quase 300%. Eles pioram o colesterol, engrossam o sangue, aumentam trombose, infarto e derrame. Também causam danos ao fígado, rins, infertilidade, alterações psicológicas e dependência.
Ingrid: Os exames não controlam esses riscos?
Dr. Bianchi: Não completamente. Alguns problemas aparecem no exame, como colesterol alterado, sangue mais espesso ou enzimas do fígado elevadas. Mas muitas complicações não são detectadas a tempo. A pessoa pode infartar sem aviso.
Ingrid: E os efeitos no cérebro e no comportamento?
Dr. Bianchi: São drogas psicoativas. Aumentam impulsividade, agressividade, diminuem a percepção de risco. Isso leva a dependência, conflitos familiares, demissões e até violência doméstica.
Ingrid: Para quem para de usar, o corpo volta ao normal?
Dr. Bianchi: Nem sempre. O coração pode ficar permanentemente fraco, testículos podem atrofiar, mulheres podem ter voz grossa irreversível. Muitos danos são definitivos.
Ingrid: Quais os riscos específicos para as mulheres?
Dr. Bianchi: Masculinização: queda de cabelo, acne intensa, aumento de pelos, voz grossa, aumento do clitóris — muitas vezes irreversível. Além disso, há riscos cardiovasculares semelhantes aos dos homens.
Ingrid: E para quem quer ganhar músculo de forma saudável?
Dr. Bianchi: Treino, alimentação e descanso. O resultado vem mais devagar, mas é seguro e sustentável. O fisiculturismo natural prova isso. Não é preciso hormônio para ter um corpo forte e bonito.
Ingrid: Quando a reposição hormonal é indicada de verdade?
Dr. Bianchi: Apenas quando há deficiência. Na menopausa, por exemplo, a queda do estrogênio causa sintomas intensos — calorões, insônia, ressecamento vaginal. Nesses casos, a reposição melhora muito a qualidade de vida e é segura quando bem indicada.
Ingrid: Anticoncepcional e hormônios aumentam risco de câncer?
Dr. Bianchi: O aumento de risco é pequeno e controlável com prevenção e exames regulares. Para a maioria das mulheres, os benefícios superam os riscos. É muito diferente do uso indiscriminado de anabolizantes.
Ingrid: A obesidade hoje é um dos maiores desafios. Por quê?
Dr. Bianchi: Nosso DNA foi feito para armazenar energia, porque no passado faltava comida. Hoje temos excesso. Resultado: engordamos fácil. A obesidade é doença crônica, não falta de força de vontade. Muitas vezes precisa de tratamento contínuo, inclusive medicamentos.
Ingrid: Remédio para emagrecer pode ser para sempre?
Dr. Bianchi: Sim, como remédio para pressão alta. Não é milagre, é tratamento. Se parar sem mudar hábitos, o peso volta.
Ingrid: Qual o principal recado que o senhor deixa?
Dr. Bianchi: Hormônio não é suplemento. Só use se houver deficiência comprovada. Para estética, o preço pode ser alto demais: saúde, fertilidade e anos de vida.
Ingrid: Onde as pessoas podem te acompanhar?
Dr. Bianchi: No Instagram @thebianrocks. Sempre explico ciência de forma simples e tiro dúvidas do público.
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