Entrevistadores: Ingrid Pitman e Dedé Roriz
Convidado: Laerte Bessa (Diretor PCDF -1994/2002; 3x Dep. Federal pelo DF; Advogado – Direito Criminal e Sucessório)
Delegado de carreira da Polícia Civil do Distrito Federal, ex-diretor-geral da corporação, três vezes deputado federal e referência nacional em combate ao sequestro, Laerte Bessa construiu sua trajetória profissional enfrentando alguns dos casos criminais mais emblemáticos do Distrito Federal.
Em entrevista exclusiva ao Vitrine Saúde, conduzida por Ingrid Pitman e Dedé Roriz, Bessa relembra operações históricas, como o Caso Pedrinho e grandes ações da anti-sequestro, fala sobre sua entrada na política por influência de Joaquim Roriz, defende a redução da maioridade penal, critica a política de segurança atual e comenta até episódios pessoais, como a amizade com o cantor Leonardo.
Entrevista |
Ingrid Pitman e Dedé Roriz: Deputado, como começou sua história na Polícia Civil?
Laerte Bessa: Cheguei a Brasília em 1986 e assumi como delegado. Passei pela 11ª DP e depois fui transferido para o Gama, que era muito violento. Cuidávamos praticamente de duas cidades: o DF e áreas de Goiás. Trabalhamos forte para reduzir assaltos e latrocínios, especialmente no Lago Sul.
O senhor ficou conhecido pelo combate a sequestros. Como foi essa fase?
Bessa: Fui chefe da anti-sequestro por oito anos. Foi um período muito duro. O crime estava se espalhando pelo país. Conseguimos prender praticamente todas as quadrilhas que atuavam aqui. Infelizmente perdemos apenas uma vítima nesse período.
O Caso Pedrinho foi o mais marcante?
Bessa: Sem dúvida. Foram quase 16 anos de investigação. Recebemos muitas pistas falsas, viajamos o Brasil inteiro. Em 2004, em Goiânia, conseguimos localizar o Pedrinho, fazer o DNA e devolver o rapaz à família biológica. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha carreira.
Como surgiu o convite para ser diretor-geral da Polícia Civil?
Bessa: O governador Joaquim Roriz confiava muito no meu trabalho. Quando assumiu o governo, reuniu os delegados e decidiu que eu seria o diretor. Foi tudo muito rápido, eu nem esperava.
E a política, quando entrou na sua vida?
Bessa: Eu nunca quis ser político. O próprio Roriz insistiu. Em 2006, lançou minha candidatura a deputado federal. Acabei eleito com mais de 62 mil votos, muito por causa do apoio da Polícia Civil e do trabalho que já conheciam.
O senhor foi relator da redução da maioridade penal. Ainda acredita nessa proposta?
Bessa: Com certeza. Aprovamos a redução para 16 anos nos crimes hediondos na Câmara. O Senado acabou arquivando. Mas é uma pauta urgente. Hoje menores cometem crimes graves e não são responsabilizados de forma adequada.
Como avalia a segurança pública no Brasil hoje?
Bessa: Falta firmeza. O crime organizado está armado como guerra. Precisamos de integração entre forças de segurança e dar condições para a polícia agir. O cidadão também precisa ter direito à legítima defesa, inclusive com porte de arma, dentro de critérios.
O senhor pensa em voltar à política?
Bessa: Existe pressão do partido, sim. Se minha saúde estiver bem e houver condições de fazer um trabalho sério, posso voltar. Mas só entro para ganhar e contribuir.
Para descontrair: é verdade a história do acidente com o cantor Leonardo?
Bessa (risos): É verdade. Estávamos indo pescar, ele quis dirigir uma Land Rover, acabou correndo demais e capotamos. Foi um susto grande, ficamos internados, infelizmente perdemos um amigo. Mas continuamos amigos até hoje.
Entre histórias de operações arriscadas, bastidores da política e memórias pessoais, Laerte Bessa reforça a imagem de um profissional que sempre esteve na linha de frente da segurança pública. Seja na polícia ou no Congresso, seu discurso permanece o mesmo: combater o crime com firmeza e proteger a sociedade.
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