Leandro Grass defende união da esquerda, critica relação do GDF com o governo federal e destaca trabalho no IPHAN: “Brasília precisa de projeto, não de disputa ideológica”

Entrevista |

Dedé Roriz: Leandro, você tem uma trajetória ligada à educação e ao trabalho social antes da política. Como começou sua vida pública?

Leandro Grass:
Sou professor desde 2005, trabalhei na rede pública, privada, com educação de jovens e adultos. Minha entrada na política veio muito da pastoral da juventude, da igreja, do trabalho comunitário. Sempre tive esse desejo de servir. Em 2014 comecei a me aproximar mais da política partidária e, em 2018, disputei minha primeira eleição para deputado distrital, com uma campanha simples e voluntária. Fui eleito com pouco mais de 6 mil votos.


Odir Ribeiro: Sua atuação como distrital ficou marcada por fiscalizações. Foi isso mesmo?

Leandro Grass:
Sim. Visitei mais de 370 escolas, hospitais, UPAs, CRAS, CREAS. Sempre entendi que o mandato é para estar na rua, ouvindo a população. Durante a pandemia isso ficou ainda mais evidente. Vi de perto o sofrimento dos profissionais de saúde, hospitais lotados, famílias desesperadas. Isso reforçou minha decisão de ampliar meu papel na política.


Dedé: Em 2022 você quase chegou ao segundo turno para governador. Faltaram poucos votos. Como você avalia aquele resultado?

Grass:
Foram cerca de 5 mil votos. Saí de 2% nas pesquisas e terminei com 26% dos votos, mais de 430 mil pessoas. Foi uma campanha muito barata, com pouco tempo de TV e sem estrutura. Se tivesse mais tempo, acredito que teríamos ido ao segundo turno. Mostrou que existe espaço para um projeto alternativo no DF.


Odir: A esquerda erra por não se unir? Isso atrapalhou sua campanha?

Grass:
A unidade é fundamental. Sempre que a esquerda e o campo progressista caminharam juntos, cresceram. Divididos, perdem força. Política exige diálogo, generosidade e confiança. Nossa tarefa agora é reconstruir essa união para 2026.


Dedé: Você costuma rebater críticas de que “a esquerda não sabe governar”. Por quê?

Grass:
Porque não é verdade. Governos anteriores fizeram muito: escolas, hospitais, BRT, políticas sociais, assistência, enfrentamento da crise hídrica. O problema foi comunicação. Muitos avanços não foram divulgados. Governar bem também é comunicar bem.


Odir: Falando em políticas públicas, você defende tarifa zero no transporte. Isso é viável?

Grass:
É viável, sim. O problema não é pagar as empresas, é o modelo de remuneração. Hoje elas ganham por passageiro, o que lota os ônibus. Defendemos pagamento por quilômetro rodado e novas fontes de financiamento. Transporte é direito social, não mercadoria.


Dedé: Agora você está à frente do IPHAN. O que exatamente faz o instituto?

Grass:
O IPHAN cuida do patrimônio histórico e cultural do Brasil. Isso inclui prédios, centros históricos, igrejas, sítios arqueológicos, mas também patrimônio imaterial, como frevo, maracatu, capoeira, festas religiosas. Estamos executando mais de 200 obras no país, restaurando monumentos e valorizando nossa identidade cultural.


Odir: Brasília é tombada. Muita gente acha que isso atrapalha o desenvolvimento. O que você responde?

Grass:
O tombamento não engessa a cidade. Ele preserva características únicas. Brasília é patrimônio mundial porque é singular. Podemos modernizar, construir, adaptar. O que não podemos é perder nossa identidade. A preservação pode, inclusive, gerar turismo, cultura e economia.


Dedé: Pensando em 2026, você é pré-candidato ao governo. Já existe uma chapa ideal?

Grass:
Estamos dialogando. A senadora Leila é pré-candidata ao Senado, a deputada Erika também. Queremos um projeto coletivo, não personalista. O importante é apresentar soluções para saúde, educação, transporte e políticas sociais. Brasília precisa de projeto, não de briga ideológica.


Odir: Você toparia conversar com outros partidos, como PSB ou PT, para compor?

Grass:
Claro. Política é construção coletiva. Nosso objetivo é unir forças progressistas e ampliar o diálogo com a sociedade. Divisão só favorece quem já está no poder.


Dedé: Para encerrar: qual mensagem você deixa para o eleitor do DF?

Grass:
Precisamos resgatar a política como instrumento de transformação. Menos ódio, mais propostas. Brasília merece planejamento, justiça social e cuidado com as pessoas. É isso que queremos construir.

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