Entrevistador: Humberto Roriz
Convidada: Dra. Marina Mello de Lima Almeida (promotora de justiça do Ministério Público de Goiás – MPGO – atuando na comarca de Valparaíso de Goiás)
Com mais de duas décadas de atuação no Ministério Público de Goiás, a promotora de Justiça Dra. Marina Mello de Lima Almeida construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça e pela defesa das vítimas, especialmente em casos de violência doméstica e crimes criminais.
Em entrevista ao podcast Mais que Jurídico, conduzida por Humberto Roriz, a promotora compartilha sua história, desde o início na advocacia até a aprovação no Ministério Público, além de reflexões sobre os desafios contemporâneos da profissão — como o crescimento dos crimes virtuais, a sobrecarga do processo eletrônico e a importância da atuação humanizada no sistema de justiça.
Com uma visão firme e sensível, Marina destaca que o direito vai além das leis: envolve responsabilidade social, empatia e transformação cultural.
🎙️ Entrevista
Humberto Roriz: Dra. Marina, para começarmos, por que a senhora escolheu a carreira no Direito?
Dra. Marina:
Na verdade, eu não venho de uma família de juristas. Meus pais não tinham formação superior, mas sempre valorizaram muito a educação. Inicialmente, pensei em fazer odontologia, mas percebi que não era o meu caminho. Sempre gostei de história, política e questões sociais, então acabei optando pelo Direito. Foi uma escolha muito acertada — sou uma promotora feliz há 28 anos.
Humberto Roriz: Como foi o início da sua trajetória profissional?
Dra. Marina:
Comecei advogando por cerca de três anos, enquanto estudava para concursos. Em 1997 fui aprovada e tomei posse em janeiro de 1998. Passei por diversas comarcas, como Piranhas, Posse, Alexânia e, posteriormente, Luziânia, onde permaneci por cerca de 10 anos. Hoje atuo em Valparaíso de Goiás.
Humberto Roriz: A senhora sempre atuou na área criminal?
Dra. Marina:
Sim. Desde o início da carreira, mesmo quando atuava em promotorias únicas, nunca deixei de trabalhar com o processo penal. A área criminal sempre fez parte da minha atuação.
Humberto Roriz: Há diferença entre os crimes nas cidades do entorno, como Luziânia e Valparaíso?
Dra. Marina:
Hoje eu vejo tudo como uma grande região integrada. Os crimes são muito semelhantes, especialmente os patrimoniais e de violência doméstica. O que mudou bastante foi o aumento dos crimes virtuais — esses sim cresceram muito e se tornaram um grande desafio.
Humberto Roriz: Sobre os crimes virtuais, por que eles têm crescido tanto?
Dra. Marina:
Porque envolvem informação e rapidez. Os golpistas usam dados reais, muitas vezes retirados de processos judiciais, e criam situações de urgência para confundir a vítima. É um crime difícil de investigar e que afeta não só financeiramente, mas também emocionalmente as pessoas.
Humberto Roriz: A senhora mencionou a violência doméstica. Houve aumento real ou maior notificação?
Dra. Marina:
Acredito que ambos. As mulheres estão mais informadas e conscientes dos seus direitos, o que aumenta as denúncias. Ainda assim, acredito que muitos casos continuam sem notificação. A violência doméstica não é exclusiva de uma região — é um problema estrutural.
Humberto Roriz: Qual o impacto da Lei Maria da Penha na sua atuação?
Dra. Marina:
Foi uma mudança profunda. Antes, não havia instrumentos adequados para proteger a mulher. Hoje temos mecanismos mais eficazes, mas ainda é necessário avançar culturalmente. A lei é essencial, mas não resolve tudo sozinha.
Humberto Roriz: E sobre a Lei Mariana Ferrer?
Dra. Marina:
Ela trouxe avanços importantes na proteção da dignidade da vítima durante audiências. Hoje há limites claros sobre como perguntas podem ser feitas, evitando exposição desnecessária.
Humberto Roriz: Qual o maior desafio atual na área criminal?
Dra. Marina:
Sem dúvida, os crimes digitais e a sobrecarga de informações. O processo eletrônico trouxe facilidade, mas também aumentou muito a demanda. Hoje o trabalho está na palma da mão, o que exige equilíbrio para não comprometer a saúde mental.
Humberto Roriz: Como a senhora vê os acordos de não persecução penal?
Dra. Marina:
São instrumentos importantes, principalmente para reparação rápida de danos. Em casos de trânsito com vítima fatal, por exemplo, eles são muito delicados. Não é fácil mensurar uma vida, mas é uma forma de dar alguma resposta às famílias.
Humberto Roriz: Existe algum caso que marcou sua carreira?
Dra. Marina:
Sim, um júri em que uma mulher foi assassinada pelo companheiro por se recusar a manter relação sexual após o parto. Ela deixou quatro filhos. Esse caso me marcou profundamente e nunca esqueci.
Humberto Roriz: Que mensagem a senhora deixa para estudantes de Direito?
Dra. Marina:
O Direito é um curso transformador. Independentemente da carreira escolhida, é preciso dedicação e compromisso. Quem planta, colhe. E mais importante: faça sempre a sua parte, com ética e responsabilidade.
Humberto Roriz: Para encerrar, qual reflexão a senhora deixa sobre o Dia Internacional da Mulher?
Dra. Marina:
Não basta dar flores. É preciso garantir direitos, respeitar e mudar comportamentos. A luta é diária. As conquistas são importantes, mas ainda há muito a avançar.
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