Saúde mental é prioridade: “A gente precisa aprender a contemplar os pequenos prazeres da vida”, diz a psicoterapeuta Andreia Leal

Ingrid Pitman:

Andreia, conta pra gente um pouco da sua história. Por que você escolheu a psicologia?

Andreia Leal:

Eu sempre fiquei dividida entre comunicação e psicologia. Meu pai era jornalista, então cresci nesse meio. Mas, no magistério, tive um professor de Introdução à Psicologia que me desafiava muito. Ele me indicou um livro, eu li de uma vez só e ali virou a chave. Entendi que queria compreender pessoas, suas dores, suas histórias. Aquilo virou missão de vida.


Ingrid:

Você já passou por depressão. Isso mudou sua visão profissional?

Andreia:

Totalmente. Quando cheguei a Brasília, senti muita solidão e tive depressão e síndrome do pânico. Isso me ensinou algo fundamental: profissional de saúde mental também adoece. A gente é humano. E essa vivência me tornou uma terapeuta mais empática.


Ingrid:

Muita gente acha que só procura terapia quando “está no fundo do poço”. Todo mundo deveria fazer?

Andreia:

Eu acredito que sim, pelo menos em algum momento da vida. Terapia não é só para crises. É prevenção, autoconhecimento, organização emocional. Se cuidássemos antes, teríamos menos adultos adoecidos.


Ingrid:

Os problemas da vida adulta realmente nascem na infância?

Andreia:

Grande parte, sim. A infância é a base da nossa segurança emocional. Quando falta acolhimento, afeto ou escuta, a pessoa cresce mais frágil, insegura. Por isso é tão importante oferecer suporte psicológico para crianças e adolescentes.


Ingrid:

Os pais conseguem perceber quando um filho não está bem?

Andreia:

Os sinais aparecem no comportamento:
• isolamento
• choro fácil
• alteração no apetite
• perda de interesse
• mudanças bruscas de humor

O problema é que muitos pais negam ou não percebem por causa da correria do dia a dia. Mas observar é essencial.


Ingrid:

Depressão é só emocional ou também biológica?

Andreia:

É um conjunto. Tem ambiente, experiências de vida e também fatores biológicos e hormonais. Às vezes o cérebro está desregulado. E aí, sim, pode ser necessário medicamento. Não é vergonha nenhuma tratar com psiquiatra.


Ingrid:

Você fala muito sobre “passagem de ciclos”. Por que isso dói tanto?

Andreia:

Porque a gente resiste às mudanças. Separação, envelhecimento, perda de emprego, morte… tudo isso exige desapego. E o ser humano sofre para aceitar o fim de fases. A depressão muitas vezes nasce dessa não aceitação.


Ingrid:

Qual é o maior erro da vida moderna hoje?

Andreia:

A gente só cuida do externo: corpo, dinheiro, aparência, sucesso. Mas negligencia o interior. Vive acelerado, dorme mal, não brinca, não descansa. Estamos estafados — só trocaram o nome para “estresse”.


Ingrid:

Você ensina uma técnica simples de bem-estar. Como funciona?

Andreia:

Eu peço que a pessoa planeje pequenos prazeres diários.
Pode ser:
• academia
• café com o marido
• fazer a unha
• encontrar amigas
• assistir a um filme
• cuidar das plantas

Depois vem o mais importante: contemplar o momento. Estar presente. Não fazer no automático.


Ingrid:

As redes sociais estão piorando a saúde mental?

Andreia:

Muito. A gente perde tempo demais comparando a própria vida com a dos outros. E isso é injusto, porque ninguém posta fracasso. Só sucesso. Precisamos viver mais o real e menos o virtual.


Ingrid:

Animais e plantas ajudam na saúde mental?

Andreia:

Demais! Eles dão propósito, rotina, companhia. Não é terapia, mas é terapêutico. Cuidar de outro ser vivo traz sentido e reduz a solidão.


Ingrid:

Homens também precisam de terapia?

Andreia:

Com certeza. E quando procuram, geralmente levam muito a sério. Precisamos quebrar o mito de que homem não pode demonstrar fragilidade. Saúde mental é humana, não é feminina.


Ingrid:

Se você pudesse deixar uma mensagem final, qual seria?

Andreia:

Aprendam a desacelerar. Planejem momentos de alegria. Aceitem os ciclos da vida. Peçam ajuda quando necessário.
Bem-estar é construção diária.


📌 Serviço

Psicoterapeuta: Andreia Leal
Instagram: @andreialeal29
Atendimento: Clínica Eli Formiga – Brasília https://www.eliformigasaudeemequilibrio.com/

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