Entrevistadora: Ingrid Pitman
Convidada: Ana Paula França – Psicopedagoga e Terapeuta Comunitária
Podcast: Vitrine, Saúde e Beleza
Neste episódio do podcast Vitrine, Saúde e Beleza, a apresentadora Ingrid Pitman conversa com a psicopedagoga e terapeuta comunitária Ana Paula França sobre saúde mental, autoconhecimento e a força do cuidado coletivo.
Ao longo da entrevista, Ana explica como funciona a terapia comunitária — prática gratuita e integrada ao SUS — e fala sobre temas como luto, ansiedade, maternidade, sobrecarga feminina e a importância de pedir ajuda.
Uma conversa sensível, informativa e necessária para quem busca equilíbrio emocional em tempos de tanta pressão
ENTREVISTA
Ingrid Pitman: Ana, conta pra gente quem é você e como escolheu trabalhar com psicopedagogia e terapia comunitária.
Ana Paula França:
Sou psicopedagoga formada pela UnB, com atuação clínica e institucional. Sempre me interessei pela área da saúde mental e pela educação como ferramenta de transformação. Depois da psicopedagogia, fiz o curso de Terapia Comunitária Integrativa (TCI). Nesse processo, percebi que, ao aprender a cuidar do outro, eu também me cuidava. A terapia comunitária exige autoconhecimento, olhar para dentro, mexer em “caixinhas guardadas”. Foi aí que entendi que essa seria minha missão: ajudar pessoas e, ao mesmo tempo, crescer como ser humano.
Ingrid: O que é exatamente a terapia comunitária?
Ana:
É uma prática criada no Brasil há quase 40 anos pelo psiquiatra social Adalberto Barreto. Ela acontece em rodas, com a comunidade, e hoje faz parte das Práticas Integrativas do SUS. É gratuita, aberta a todos e baseada em três pilares: escuta, acolhimento e partilha de experiências. Não é dar conselho, é falar de si: como eu enfrentei, como eu superei, que estratégias usei.
Ingrid: Quem pode participar? E como funciona uma roda?
Ana:
Qualquer pessoa pode participar. Antes da pandemia, tínhamos cerca de 37 rodas presenciais no DF, em igrejas, hospitais, CRAS e outros espaços. Hoje temos também rodas online, toda segunda-feira, às 16h, pelo Zoom.
A roda começa com regras básicas: respeito, não julgamento, escuta em silêncio. Depois as pessoas falam livremente e, ao final, o grupo vota no tema que mais tocou. Geralmente, o tema escolhido é aquele que está mexendo com a maioria.
Ingrid: Que tipos de temas aparecem nessas rodas?
Ana:
De tudo: luto, depressão, ansiedade, conflitos familiares, drogas, problemas no trabalho, maternidade, doenças, solidão. Muitas pessoas chegam achando que a vida do outro é perfeita e descobrem que todo mundo carrega dores. Isso gera empatia e cria uma rede de apoio.
Ingrid: Você falou muito sobre saúde mental das mulheres. Por quê?
Ana:
Porque a mulher carrega muitas responsabilidades: casa, filhos, trabalho, cuidados com os outros. Além disso, existe toda uma carga histórica e cultural de repressão e cobrança. Sem contar as questões hormonais. Tudo isso pesa na saúde mental. Hoje, muitas mulheres são chefes de família, mães solo, responsáveis financeiras. A sobrecarga é real.
Ingrid: A terapia comunitária ajuda nesses casos?
Ana:
Muito. Quando a mulher fala da própria dor e encontra outra que vive algo parecido, ela se reconhece. Isso alivia. A dor não some, mas fica mais suportável quando é compartilhada. A gente entende que não está sozinha.
Ingrid: Você também falou muito sobre luto. Como a terapia ajuda nesse processo?
Ana:
O luto não tem prazo. Não existe “superar”, existe aprender a conviver. A terapia ajuda porque é um espaço de fala. Como diz Adalberto Barreto: “Quando a boca cala, os órgãos adoecem; quando a boca fala, os órgãos saram.”
Falar, ouvir, se identificar, cria uma rede de proteção emocional.
Ingrid: E quando a pessoa não tem dinheiro para terapia?
Ana:
A terapia comunitária é gratuita. É voluntária. Todo mundo pode participar. Muitas pessoas deixam de se cuidar por achar que precisa pagar caro. Não precisa.
Ingrid: Que sinais indicam que a pessoa precisa buscar ajuda?
Ana:
Crises de ansiedade, tristeza constante, desânimo, isolamento, medo excessivo, insônia, mudanças bruscas de comportamento. Mas antes disso tudo, existem sinais menores: irritação constante, cansaço emocional, sensação de vazio. É preciso estar atento.
Ingrid: Como o autoconhecimento entra nisso tudo?
Ana:
Autoconhecimento é saber quem você é, quais são suas qualidades e seus limites. Quando você se conhece, percebe quando algo não está bem. A mente é nossa responsabilidade. Ninguém cuida da nossa saúde mental por nós.
Ingrid: Para quem está sofrendo por término de relacionamento, o que você diria?
Ana:
Término é um tipo de luto. Dói, mas passa. Cada pessoa tem seu tempo. Ajuda muito se ocupar: atividade física, amigos, natureza, espiritualidade, trabalho, hobbies. O importante é não se isolar e não achar que aquela dor será eterna.
Ingrid: A terapia comunitária também trabalha com jovens e estudantes?
Ana:
Sim. Durante a pandemia fizemos rodas com estudantes de medicina, que estavam adoecendo pela pressão, cobrança familiar e medo de fracassar. Eles começaram fechados, sem mostrar o rosto, e aos poucos foram se abrindo. Perceberam que não estavam sozinhos.
Ingrid: Como alguém pode participar da terapia comunitária?
Ana:
Pode entrar em contato pelo Instagram @mmacdf (ou @mismacdf, conforme divulgado) ou pelo WhatsApp (61) 99651-2782 e dizer: “Quero participar da terapia”. A equipe envia o link ou informa o local presencial.
Ingrid: Para encerrar: qual mensagem você deixa sobre saúde mental?
Ana:
Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Não é fraqueza pedir ajuda. É coragem. Cada um é responsável pela própria saúde mental. Se algo não vai bem, procure apoio. Falar salva. Compartilhar cura. E ninguém precisa enfrentar a dor sozinho.
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