Em entrevista ao podcast Mais que Jurídico, o comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar de Goiás (PMGO), coronel Alessandro Arantes Neres de Sousa, falou sobre sua trajetória na corporação, os desafios da segurança pública no Entorno do Distrito Federal e as estratégias adotadas para reduzir a criminalidade na região.
Durante a conversa com o entrevistador Humberto Roriz, o comandante destacou a política de “tolerância zero” para pequenos delitos, a importância da integração entre forças de segurança e o uso de tecnologia, como inteligência artificial e monitoramento por câmeras. Também abordou temas polêmicos, como drogas, câmeras corporais, atuação das guardas municipais e o impacto das decisões judiciais no trabalho policial.
🎙️ Entrevista
Humberto Roriz: Coronel, poderia contar um pouco da sua trajetória na Polícia Militar?
Coronel Arantes:
Entrei muito jovem na PM, com cerca de 18 para 19 anos. Hoje tenho 26 anos de carreira. Comecei após conhecer o curso de formação de oficiais e, desde então, passei por diversas unidades, como Rotam, aviação policial e comando de batalhões. Também atuei no Tribunal de Justiça e, atualmente, comando o 5º CRPM, onde estou há quase quatro anos.
Humberto Roriz: Como foi assumir o comando do Entorno, uma região historicamente violenta?
Coronel Arantes:
É uma região desafiadora. Aqui, se o comando descuidar, a situação pode piorar rapidamente. Trabalhamos com dedicação total e adotamos uma estratégia firme de atuação. Hoje temos uma política de tolerância zero para pequenos delitos, porque entendemos que eles impactam diretamente a sensação de segurança.
Humberto Roriz: O que mudou na prática para reduzir os índices de criminalidade?
Coronel Arantes:
A presença policial e o combate aos pequenos crimes foram fundamentais. Atuamos em perturbação do sossego, tráfico local e desordem urbana. Além disso, investimos em integração com outras forças e tecnologia, como câmeras e inteligência artificial, que ajudam a identificar criminosos rapidamente.
Humberto Roriz: O senhor citou tecnologia. Como ela tem ajudado no policiamento?
Coronel Arantes:
Hoje temos um sistema com inteligência artificial que permite identificar veículos e suspeitos rapidamente. Isso agiliza muito o trabalho policial. Em poucos minutos conseguimos localizar um suspeito após um crime, algo que antes levava muito mais tempo.
Humberto Roriz: Como o senhor vê decisões judiciais recentes sobre drogas?
Coronel Arantes:
Isso tem impactado o trabalho da polícia. O pequeno tráfico incomoda muito a população, e muitas vezes o usuário e o traficante se confundem na prática. Continuamos fazendo nosso trabalho dentro da lei, mas há desafios operacionais com essas mudanças.
Humberto Roriz: A política de “tolerância zero” segue a teoria da “janela quebrada”?
Coronel Arantes:
Exatamente. Se você não combate o pequeno problema, ele cresce. Um som alto, uma moto irregular, uma rua desorganizada… tudo isso contribui para a sensação de que “tudo pode”. Quando o Estado atua, a ordem é restabelecida.
Humberto Roriz: Como o senhor avalia o uso de câmeras corporais em policiais?
Coronel Arantes:
Não sou contra, mas hoje não é prioridade. O investimento em câmeras nas ruas traz um retorno maior, porque fiscaliza tanto o policial quanto o criminoso. Segurança pública envolve escolhas e prioridades.
Humberto Roriz: E sobre a atuação das guardas municipais?
Coronel Arantes:
Sou favorável, desde que venham para somar. Segurança pública é cara e exige preparo. Não adianta criar uma força sem estrutura e treinamento adequado. O ideal é integração com as demais forças.
Humberto Roriz: O senhor pode compartilhar alguma ocorrência marcante da sua carreira?
Coronel Arantes:
Mais do que grandes operações, o que mais me marca são pequenas ações, como recuperar um botijão de gás para uma família carente. Isso faz diferença real na vida das pessoas.
Humberto Roriz: Qual mensagem o senhor deixa para a população?
Coronel Arantes:
Confie na Polícia Militar. Nem sempre conseguimos resolver tudo, mas temos compromisso e vontade de proteger a sociedade. E eu sempre digo: imagina se não estivéssemos “enxugando o gelo”. A situação seria muito pior.
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