(Lula e Janja. Imagem gerada por inteligência artificial)
Um conteúdo que buscava aproximar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do cotidiano da população acabou produzindo o efeito oposto. O vídeo em que a primeira-dama Rosângela da Silva aparece preparando carne de paca durante a Páscoa gerou controvérsia, críticas e, segundo análises mencionadas, impactou negativamente a popularidade do chefe do Executivo.
Estratégia de humanização que saiu do controle
A proposta do vídeo era clara: reforçar a imagem de um presidente próximo da realidade dos brasileiros, em um ambiente doméstico e descontraído. Esse tipo de comunicação costuma ser utilizado para suavizar a percepção pública e gerar identificação emocional com o eleitorado.
Inicialmente, a repercussão caminhava dentro do esperado, com engajamento positivo nas redes. No entanto, a escolha do prato — carne de paca — rapidamente desviou o foco e transformou o conteúdo em alvo de críticas.

(Print da página do Instagram de Janja. Fonte: https://www.instagram.com/reel/DWw45qXD9sF/)
O “fator paca” e a virada na percepção pública
A carne de paca, por se tratar de um animal silvestre, trouxe à tona questionamentos legais e ambientais.
A menção à expressão “carne de caça” no vídeo intensificou a repercussão negativa.
De acordo com a análise apresentada no conteúdo original, esse elemento foi determinante para uma mudança de percepção. O episódio teria funcionado como um ponto de inflexão:
- Interrompeu uma tendência de recuperação na imagem do presidente;
- Gerou aumento de rejeição em monitoramentos diários de popularidade;
- Ampliou críticas em ambientes digitais e políticos.
O chamado “fator paca” passou a simbolizar o impacto negativo do episódio.

(Lula e Janja preparam carne de paca, um prato considerado exótico por ser um animal silvestre fora da dieta convencional da maioria dos brasileiros. Fonte: Instagram)
Rejeição cresce em meio à controvérsia
Indicadores de acompanhamento político teriam registrado piora na avaliação do presidente após a divulgação do vídeo.
A tentativa de transmitir espontaneidade acabou sendo interpretada de forma negativa por diferentes públicos, seja por questões legais, ambientais ou simbólicas.
O episódio reforça como, em contextos polarizados, detalhes específicos podem gerar reações amplificadas e rapidamente alterar o cenário de opinião pública.
Críticas públicas e efeito multiplicador
A ativista Luisa Mell foi uma das vozes que criticaram o conteúdo, destacando o potencial de incentivo indireto ao consumo de animais silvestres.
Esse tipo de posicionamento contribuiu para ampliar o alcance da controvérsia, levando o debate para além do campo político e atingindo também pautas ambientais e éticas.

(A ativista Luisa Mell utilizou suas redes sociais para criticar a primeira-dama, Janja Lula da Silva, após a repercussão de um vídeo em que Janja aparece preparando carne de paca para o presidente Lula. Fonte: https://www.instagram.com/p/DW2S4Xkjo0i/)
Dúvidas sobre a origem da carne intensificam desgaste
Outro fator que alimentou a crise foi a ausência de esclarecimentos imediatos sobre a procedência da carne.
Embora tenha sido alegado que o produto seria de origem legal, proveniente de criadouro autorizado, a falta de comprovação pública gerou:
- Desconfiança;
- Pressão por transparência;
- Pedido de investigação por parte de agentes políticos.
A indefinição contribuiu para prolongar a repercussão negativa.
Entenda o que diz a lei sobre caça e consumo de carne de paca no Brasil
A discussão sobre o consumo de carne de animais silvestres, como a paca, envolve diretamente a legislação ambiental brasileira. O tema é regulado principalmente pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e pela Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967), que estabelecem limites claros sobre o que é permitido e o que constitui crime.
O que diz a Lei de Crimes Ambientais
A Lei nº 9.605/1998 trata das infrações contra o meio ambiente. Em seu artigo 29, determina:
“Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida.”
Penalidades previstas:
- Detenção de 6 meses a 1 ano;
- Aplicação de multa;
- Possibilidade de agravamento da pena em situações específicas, como:
- Caça profissional;
- Prática durante a noite;
- Ocorrência em unidades de conservação.
A proteção da fauna como princípio legal
A Lei nº 5.197/1967 reforça essa proteção ao estabelecer que:
- Os animais silvestres são propriedade do Estado;
- É proibida sua caça, captura e comercialização sem autorização.
Essa norma consolida a ideia de que a fauna não pertence ao indivíduo, mas à coletividade, devendo ser preservada.
Por que a paca é protegida por lei
A paca (Cuniculus paca) é um animal silvestre nativo do Brasil e desempenha funções importantes no equilíbrio ambiental. A proibição da caça indiscriminada está ligada a diversos fatores:
- 1. Preservação das espécies: A caça sem controle pode levar à redução populacional e até à extinção local.
- 2. Equilíbrio ecológico: A paca atua na dispersão de sementes, contribuindo diretamente para a regeneração de florestas.
- 3. Riscos à saúde pública: Animais silvestres podem transmitir doenças como (a) Leptospirose; (b) Febre amarela; (c) Infecções parasitárias.
Sem controle sanitário, o consumo representa risco à população e a restrição também visa coibir o comércio ilegal de fauna silvestre.

(A paca – cuniculus paca – é considerada o segundo maior roedor do Brasil, ficando atrás apenas da capivara)
Comer carne de paca é sempre proibido?
Não. A legislação brasileira não proíbe de forma absoluta o consumo — mas estabelece condições rigorosas para que ele seja legal. Situação legal:
- Quando a carne é proveniente de criadouros comerciais autorizados;
- Com licença de órgãos ambientais (como o IBAMA ou equivalentes estaduais);
- Com inspeção sanitária oficial (SIF ou similar).
Nesses casos, os animais são criados em cativeiro, com controle adequado, e a comercialização é permitida.
Quando o consumo se torna crime
O consumo passa a ser ilegal quando a origem da carne não é comprovada ou está vinculada à caça na natureza.
Isso inclui:
- Compra de carne sem certificação;
- Venda informal de “carne de caça”;
- Consumo de animal abatido ilegalmente.
Mesmo quem apenas adquire ou consome pode ser responsabilizado, por se tratar de produto de origem ilícita.
Comunicação política em ambiente sensível
O caso evidencia um risco recorrente na comunicação política contemporânea: ações pensadas para humanizar lideranças podem produzir efeitos contrários quando encontram temas sensíveis.
Neste episódio, três fatores se combinaram:
- Um tema com implicações legais (fauna silvestre);
- Um contexto político polarizado;
- Alta exposição nas redes sociais.
O resultado foi a transformação de um conteúdo cotidiano em um episódio de desgaste político.
Quando a narrativa escapa ao controle
O vídeo que pretendia fortalecer a imagem de proximidade do presidente acabou associado a críticas, questionamentos e aumento de rejeição.
O caso ilustra como, na política atual, não apenas grandes decisões, mas também gestos simbólicos e escolhas pontuais podem impactar diretamente a percepção pública — especialmente quando envolvem temas sensíveis e pouca clareza de informações.
📍Referências:
▶️https://veja.abril.com.br/brasil/a-du…
▶️https://x.com/Jotinha/status/20419838…
▶️https://x.com/NewsLiberdade/status/20…
▶️https://www.facebook.com/radiocidadec…
▶️https://g1.globo.com/economia/agroneg…
▶️https://jovempan.com.br/noticias/poli…
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