🎙️ Podcast – Mais que Jurídico
Entrevistador: Humberto Roriz
Entrevistado: Dr. Rodrigo Martins – Promotor de Justiça
No episódio mais recente do podcast Mais que Jurídico, o apresentador Humberto Roriz recebe o promotor de justiça Dr. Rodrigo Martins, um dos mais jovens a assumir o cargo na região. Natural de Niterói e aprovado em concurso público aos 26 anos, Dr. Rodrigo compartilha sua trajetória pessoal e profissional, os desafios da atuação no Tribunal do Júri, o impacto emocional da carreira no Ministério Público e reflexões profundas sobre justiça, criminalidade, políticas públicas e responsabilidade social. Uma conversa que vai além do Direito técnico e revela o lado humano de quem atua diariamente na linha de frente da Justiça.
Humberto Roriz:
Dr. Rodrigo, seja muito bem-vindo ao podcast Mais que Jurídico. Para começar, o senhor é um dos promotores mais jovens da nossa região, tomou posse muito cedo em um dos concursos mais concorridos do país. O que despertou esse desejo de seguir a carreira no Ministério Público?
Dr. Rodrigo Martins:
Bom dia, Humberto. Primeiramente, agradeço o convite. Minha trajetória foi marcada por muito foco e também por um ambiente familiar favorável. Diferente de muitos colegas que acumulam várias aprovações, eu tive apenas uma — justamente essa. Tive o privilégio de contar com incentivo constante do meu pai, que já havia passado por concurso público, e isso fez muita diferença. Concurso exige foco absoluto, resiliência e a capacidade de lidar com reprovações sem perder o rumo.
Humberto Roriz:
Ainda no ensino médio, o senhor já pensava em cursar Direito ou essa escolha veio depois?
Dr. Rodrigo Martins:
Eu sempre tive mais afinidade com as ciências humanas. Gostava muito de História e tinha dificuldades com disciplinas como Física e Química. Cheguei a considerar cursar História, mas entendi que o Direito me daria mais oportunidades profissionais. A ideia do concurso público sempre esteve presente, e dentro da faculdade fui me moldando até perceber que o Ministério Público fazia mais sentido para mim.
Humberto Roriz:
Houve algum professor ou experiência acadêmica que tenha sido decisiva nessa escolha?
Dr. Rodrigo Martins:
Não houve um único professor específico no início, mas alguns marcaram bastante minha formação. Tive aulas com professores muito respeitados, como Gustavo Sampaio e Daniel Risman. No entanto, quem realmente me influenciou foi o professor Denis, de Processo Penal, que foi meu orientador de TCC. Eu assistia às aulas dele até como ouvinte, mesmo quando não estava matriculado. Ele foi uma grande referência para mim.
Humberto Roriz:
O senhor saiu do Rio de Janeiro para atuar no entorno de Brasília. Como foi esse processo de adaptação?
Dr. Rodrigo Martins:
Foi um choque inicial. Eu sempre vivi muito amparado pela família e precisei aprender, de uma hora para outra, a lidar com todas as responsabilidades da vida adulta sozinho. Além disso, havia a frustração de ter sido reprovado no concurso do MP do Rio poucos dias depois da aprovação em Goiás. Mas a experiência foi extremamente positiva. Hoje não tenho qualquer pretensão de sair daqui. Me adaptei muito bem e criei raízes.
Humberto Roriz:
O senhor atua no Tribunal do Júri, uma das áreas mais sensíveis do Direito Penal. Qual é a maior dificuldade dessa atuação?
Dr. Rodrigo Martins:
No Tribunal do Júri, qualquer posicionamento vai desagradar alguém. Sempre há a família da vítima e a família do réu, e o Ministério Público precisa agir com responsabilidade e equilíbrio. Além disso, em cidades pequenas, os jurados muitas vezes já conhecem as partes, o que pode gerar pré-conceitos e até medo de represálias. Nosso papel é garantir um julgamento justo, respeitando a prova dos autos e a consciência de cada jurado.
Humberto Roriz:
Existe algum caso marcante da sua trajetória no Júri que o senhor nunca esqueceu?
Dr. Rodrigo Martins:
Sim, vários. Um deles envolveu três réus da mesma família, dois irmãos e o pai. A defesa utilizou uma estratégia muito impactante no plenário para demonstrar que o pai não tinha conhecimento da ação dos filhos. Ao final, os filhos foram condenados e o pai absolvido. Outro caso que me marcou profundamente foi o único em que pedi clemência, diante de uma situação excepcional de excesso de legítima defesa, envolvendo um réu primário, trabalhador, que já havia sofrido graves ameaças.
Humberto Roriz:
Como o senhor lida com a carga emocional da função?
Dr. Rodrigo Martins:
É uma carga muito pesada. Lidamos diariamente com violência, injustiça e sofrimento humano. Acredito que acompanhamento psicológico é importante para todos que atuam nessa área. No meu caso, consigo separar bem a vida profissional da pessoal. Eventualmente, situações muito injustas me afetam, mas procuro manter o equilíbrio. Se a gente leva tudo para o lado pessoal, acaba adoecendo.
Humberto Roriz:
O senhor acredita que o sistema penal brasileiro precisa de mudanças?
Dr. Rodrigo Martins:
Sem dúvida. Precisamos de penas mais eficazes para determinados crimes, maior estabilidade jurisprudencial e políticas públicas de prevenção mais fortes, especialmente voltadas à infância e adolescência. Hoje, muitos adolescentes são cooptados pelo crime organizado porque enxergam nisso vantagens imediatas. O poder público precisa disputar esse espaço, oferecendo oportunidades reais.
Humberto Roriz:
Para encerrar, qual a principal lição que esses primeiros anos no Ministério Público lhe ensinaram?
Dr. Rodrigo Martins:
Que nenhuma mudança é pequena demais. Às vezes temos a sensação de estar apenas “enxugando gelo”, mas cada caso bem tratado pode transformar a vida de alguém. Um pequeno gesto hoje pode gerar uma grande mudança amanhã. É como o efeito borboleta: cada bater de asas importa.
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