O início de 2026 é marcado por um cenário de desgaste político para Lula, justamente no ano em que ele pode disputar um quarto mandato presidencial. A alta reprovação pessoal representa um desafio significativo, mesmo com parte do eleitorado reconhecendo políticas públicas do governo.
Analistas políticos apontam que, embora Lula ainda apareça competitivo nas pesquisas de intenção de voto, a rejeição elevada pode influenciar a dinâmica eleitoral ao longo do ano, principalmente se adversários conseguirem consolidar alternativas claras:
- A pesquisa mostra que 57% dos brasileiros desaprovam o desempenho pessoal de Lula enquanto 34% aprovam — ou seja, a rejeição ao presidente é majoritária no início de 2026.
- Esse nível de desaprovação representa um aumento em relação ao início de 2024, quando a rejeição estava menor e a distância entre aprovação e desaprovação era menor. Hoje, essa diferença negativa praticamente dobrou, indicando piora contínua de imagem.

(1) Principais indicadores
Um dos indicadores mais persistentes para explicar esse resultado envolve, sem dúvida, dois fatores centrais:
📌 economia e
📌 segurança pública.
(1.1) Economia
Do ponto de vista econômico, pesam a inflação mais alta, o descontentamento com os preços nas prateleiras dos supermercados e a alta persistente dos combustíveis, fatores que impactam diretamente o orçamento das famílias.
(A) Aqui estão dados organizados sobre níveis da taxa básica de juros (Selic) no Brasil entre 2023 e 2026, com base em dados oficiais e projeções econômicas, conforme os principais indicadores oficiais (IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que permite ver a evolução dos preços ao longo do tempo.
📌Vale destacar que a Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central do Brasil por meio do Comitê de Política Monetária (Copom). Ela serve como referência para todos os demais juros do país — como empréstimos, financiamentos, cartão de crédito, cheque especial e rendimentos de aplicações financeiras.
Em termos simples, é o “preço do dinheiro” no Brasil:
- 2023: estava em cerca de 11,75% ao final de 2023 e foi gradualmente elevada até 12,25% em dezembro;
- 2024: atingiu níveis próximos a 12,25% com oscilações mensais conforme decisões do Copom;
- 2025: o ritmo de aperto monetário continuou até junho, quando a Selic foi elevada para 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006;
- No início de 2026, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano nas primeiras reuniões do ano;
✔️Como funciona na prática = Quando a Selic sobe:
– crédito fica mais caro (parcelas maiores);
– consumo diminui;
– empresas investem menos;
– inflação tende a cair.
(B) O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):
- fechou 2024 com alta acumulada de 4,83%, acima do teto da meta oficial do governo, indicando que os preços de itens essenciais — como alimentos, combustíveis e serviços — subiram mais do que o esperado;
- esse avanço é sentido diretamente no dia a dia das famílias: levantamento do varejo mostra que as transações em supermercados cresceram quase 9% em fevereiro de 2025 na comparação anual, sinal de que os brasileiros estão gastando mais para levar os mesmos produtos para casa;
- além disso, a alimentação no domicílio acumulou alta de 7,1% em 12 meses, reforçando o descontentamento com os preços nas prateleiras.
(C) No início de 2026, a prévia da inflação oficial mostrou que:
- os combustíveis tiveram alta de 1,25% em apenas um mês, com variação de 3,59% no etanol e 1,01% na gasolina — pressões importantes porque o custo dos combustíveis influencia transporte, alimentos e serviços.
(1.2) Segurança
Já na área da segurança pública, os indicadores também preocupam, com o avanço de crimes como feminicídio, o elevado número de homicídios — especialmente entre homens jovens —, além do aumento de casos de latrocínio e de conflitos relacionados a invasões de terras.
- (A) Em 2025, o Brasil registrou o maior número de casos de feminicídio já contabilizados, com 1.470 mulheres mortas por razões de gênero — uma média de quatro por dia;
- (B) Além disso, o país segue convivendo com elevados índices de homicídios, sobretudo:
📍 entre homens jovens, que historicamente concentram a maior parte das vítimas de mortes violentas;
📍registros frequentes de latrocínios (roubos seguidos de morte) e
📍 conflitos ligados a invasões de terras em áreas rurais;
- (C) Mesmo sem viver uma guerra declarada, o Brasil registra níveis de violência letal muito acima do padrão internacional:
📍 Em 2024, o país teve cerca de 18,2 homicídios por 100 mil habitantes, segundo dados oficiais, enquanto a média global é de 5,6 por 100 mil, conforme o United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) — ou seja, uma taxa mais de três vezes maior;
📍 Especialistas apontam que, em países desenvolvidos e em paz, os índices costumam ficar abaixo de 10, e números acima de 15 já são considerados elevados, típicos de cenários de violência urbana crônica;
📍 Embora comparações diretas com guerras exijam cautela metodológica, o contraste chama atenção, pois conflitos recentes envolvendo Ucrânia, Israel e Irã contabilizam mortes por combates e bombardeios, não por crimes comuns, mas ainda assim evidenciam como o Brasil, em plena normalidade institucional, mantém uma taxa de homicídios superior à observada em muitos países em paz.
📍 Para analistas, essa violência persistente — somada a casos de latrocínio, assaltos e feminicídios — reforça a sensação de insegurança da população e pesa diretamente na avaliação do governo, já que segurança pública, assim como a economia, costuma ser decisiva na aprovação ou rejeição presidencial;
Esse conjunto de problemas reforça a sensação de insegurança da população e ajuda a explicar a insatisfação popular, já que questões econômicas e de segurança costumam ser decisivas para os eleitores na hora de avaliar o desempenho de um presidente.
(2) Comparação entre a imagem pessoal de Lula e a avaliação do governo
As matérias destacam que a imagem pessoal do presidente está pior do que a avaliação do governo como um todo:
- enquanto 57% desaprovam Lula pessoalmente,
- a gestão federal tem 53% de desaprovação e 41% de aprovação.
Isso sugere que parte do eleitorado diferencia o trabalho institucional do governo da figura do presidente.
(3) Contexto político
- O levantamento foi feito pelo instituto PoderData entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2026, com 2.500 entrevistas em 111 municípios, margem de erro de ±2 pontos percentuais.
- O cenário analisado acontece às vésperas de um ano eleitoral, em que Lula deve disputar um possível 4º mandato presidencial — e os índices de desaprovação podem impactar a corrida eleitoral ao longo do ano.
(4) Estratificação por grupos
A pesquisa também revela diferenças marcantes nos recortes sociais:
- 👍🏻 Maior aprovação entre mulheres, jovens de 16 a 24 anos e moradores do Nordeste;
- 👎🏻 Maior desaprovação entre homens, eleitores de 25 a 44 anos, moradores do Centro-Oeste e pessoas com renda familiar mais alta.
Estes números deixam claro que Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta seu pior patamar de imagem neste mandato, enquanto o próprio governo registra índices negativos — ainda que menos severos.
O contraste entre a rejeição ao líder e a avaliação institucional da gestão sugere um eleitor mais crítico à figura política de Lula do que às políticas públicas em si. Isso indica que o desgaste pode estar ligado não apenas à economia ou às entregas do governo, mas também à narrativa, comunicação e confiança pessoal do eleitorado.
(5) Ano eleitoral
Em um ano eleitoral decisivo, esse cenário transforma a recuperação de popularidade em prioridade estratégica para o Palácio do Planalto. Caso a tendência de rejeição se mantenha, o presidente terá um caminho mais difícil para consolidar apoio e ampliar sua base. Por outro lado, eventuais melhoras na economia ou medidas de impacto social podem reverter parte desse quadro.
Para o leitor — e eleitor — os dados funcionam como um termômetro importante: mostram que 2026 começa com o debate político mais aberto, competitivo e imprevisível, onde a percepção pública pode ser determinante para os rumos da disputa presidencial.
📌Fontes:
– PoderData é uma empresa de pesquisas de opinião. Foi criada em abril de 2017, com o nome DataPoder360. Passou a se chamar PoderData em 5 de agosto de 2020.
InfoMoney: https://www.infomoney.com.br/politica/poderdata-lula-chega-a-2026-com-desaprovacao-de-57-e-imagem-pior-que-a-do-governo/
Poder 360: https://www.poder360.com.br/poderdata/lula-entra-no-ano-da-eleicao-reprovado-por-57-diz-poderdata/
Gazeta do Povo: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-entra-em-ano-eleitoral-com-aumento-na-desaprovacao-aponta-poder-data/?utm_source=chatgpt.com
Bloommber: https://www.bloomberg.com/news/features/2025-06-09/brazil-president-lula-faces-economic-unease-lost-support-as-2026-election-looms?utm_source=chatgpt.com&embedded-checkout=true
Carta Capital: https://www.cartacapital.com.br/politica/brasil-registra-em-2025-o-maior-numero-de-feminicidios-desde-a-tipificacao-do-crime/?utm_source=chatgpt.com
Senado Federal: https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/noticias/mapa-nacional-da-violencia-de-genero-aponta-alta-nos-casos-de-feminicidio?utm_source=chatgpt.com
Agência Nacional: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-01/inflacao-oficial-do-pais-em-2024-e-de-483-acima-do-limite-da-meta?utm_source=chatgpt.com
CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/gastos-em-supermercado-e-restaurante-sobem-apesar-de-inflacao-diz-pesquisa/?utm_source=chatgpt.com
Exame: https://exame.com/economia/ipca-15-de-janeiro-sobe-020-inflacao-em-12-meses-fica-em-450/?utm_source=chatgpt.com
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