Dr. Rodrigo Fureaux: experiência policial, sensibilidade judicial e compromisso com a Justiça

🎙️ Entrevista – Podcast Mais que Jurídico

Entrevistador: Dr. Humberto Roriz
Convidado: Rodrigo Fureaux (Juiz titular da 3ª Vara de Família e das Fazendas Públicas)

Apresentação

Hoje, no podcast Mais que Jurídico, recebemos o juiz Dr. Rodrigo Fureaux, titular da 3ª Vara de Família e das Fazendas Públicas, magistrado com uma trajetória singular no Direito brasileiro. Antes da magistratura, foi oficial da Polícia Militar de Minas Gerais e aprovado em diversos concursos para juiz de direito em diferentes estados do país, experiência que moldou sua visão humana e prática da Justiça.


Pergunta 1 – Doutor, sua trajetória impressiona. Foi difícil passar em tantos concursos para a magistratura?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Passar em concurso público, especialmente para a magistratura, não é nada fácil. Antes de ser aprovado, enfrentei muitos anos de estudo, disciplina e, principalmente, reprovações. Prestei cerca de 30 concursos, rodei o país inteiro e só depois de aproximadamente quatro anos e meio de dedicação diária consegui a aprovação em quatro tribunais. A mensagem é clara: persistência e constância fazem toda a diferença.


Pergunta 2 – O senhor também foi oficial da Polícia Militar de Minas Gerais. Como essa experiência influenciou sua carreira como juiz?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Essa é, sem dúvida, a parte do meu currículo que mais me orgulha. Ser policial militar me deu uma bagagem humana e profissional imensa. A vivência na ponta da linha, lidando com conflitos reais, sofrimento humano e situações extremas, mudou completamente minha forma de enxergar o mundo e de julgar. Isso me tornou um magistrado mais consciente, mais humano e mais atento à realidade social.


Pergunta 3 – O senhor acredita que a experiência de vida influencia as decisões judiciais?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Totalmente. Juízes não são máquinas. Todos nós temos vieses cognitivos, experiências prévias e referências que influenciam nossa percepção dos fatos. O grande desafio é ter consciência disso e adotar técnicas para minimizar esses vieses, buscando sempre a imparcialidade e a justiça do caso concreto.


Pergunta 4 – O senhor é fundador da plataforma CJ POL. Qual é o objetivo desse projeto?

Dr. Rodrigo Fureaux:
A CJ POL nasceu com a ideia de criar um ecossistema de capacitação contínua voltado a policiais, profissionais de segurança pública, advogados e operadores do Direito Penal e Processual Penal. A proposta é reunir, em um só lugar, conteúdo qualificado, atualizado e prático, facilitando o acesso à informação e ao aperfeiçoamento profissional.


Pergunta 5 – Quais são as principais diferenças entre o Código Penal comum e o Código Penal Militar?

Dr. Rodrigo Fureaux:
O Código Penal Militar é, em regra, mais rigoroso. Ele prevê crimes que sequer existem no mundo civil, como dormir em serviço, abandono de posto e recusa de obediência. Isso se justifica pela necessidade de hierarquia e disciplina, pilares fundamentais das instituições militares.
Curiosamente, em alguns pontos, o código militar acabou se tornando até mais benéfico, porque o legislador esqueceu de atualizá-lo em reformas recentes.


Pergunta 6 – No processo penal militar, a ampla defesa é respeitada?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Sim, e muitos estudiosos defendem que o processo penal militar é até mais garantista que o processo penal comum. Há maior tempo de preparação da defesa, separação clara das fases processuais e possibilidade de sustentações orais extensas. Apesar da rigidez material, o procedimento busca assegurar o contraditório de forma efetiva.


Pergunta 7 – Existe mesmo um índice maior de infidelidade no meio policial?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Existem estudos que apontam, sim, um índice maior. Isso se explica por fatores como estresse constante, exposição à adrenalina, jornadas extenuantes e até o fetiche simbólico da farda. Nada disso justifica a traição, mas ajuda a compreender o fenômeno sob uma ótica científica e social.


Pergunta 8 – Como o senhor avalia a influência da mídia no trabalho policial?

Dr. Rodrigo Fureaux:
A mídia tende a destacar erros e excessos, porque isso gera engajamento. O problema é que isso cria uma sensação de insegurança jurídica para o policial, que passa a atuar com medo. Erros existem, mas são estatisticamente raros se comparados ao volume de ocorrências atendidas diariamente. Precisamos de uma abordagem mais equilibrada.


Pergunta 9 – O senhor defende que juízes tenham mais contato com a realidade policial?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Sim. Já existe curso de formação para magistrados, mas acredito que acompanhar a rotina policial seria extremamente enriquecedor. Conhecer a realidade da rua ajuda o juiz a compreender melhor os fatos, sem perder a imparcialidade.


Pergunta 10 – Como o senhor vê o fortalecimento das Guardas Civis Municipais?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Vejo de forma positiva. Sou favorável, inclusive, à criação de polícias municipais. O importante é haver integração e compartilhamento de dados entre as forças de segurança. Segurança pública não se faz com vaidade institucional, mas com cooperação.


Pergunta 11 – Trabalhar na Vara de Família é mais difícil do que atuar na área criminal?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Sem dúvida. Na Vara de Família lidamos com o que há de mais sensível: crianças, vínculos afetivos e relações familiares. Decidir com quem um filho vai ficar é, para mim, mais difícil do que decretar uma prisão. É uma responsabilidade enorme e exige equilíbrio emocional constante.


Pergunta 12 – Qual mensagem o senhor deixa para os acadêmicos de Direito?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Aproveitem os cinco anos do curso. Não há mais espaço para profissionais medianos. Estudem, sejam os melhores, aprendam tecnologia, inteligência artificial e saibam se adaptar. Seja na advocacia ou no concurso público, o sucesso exige preparo, disciplina e visão de futuro.


Pergunta 13 – Para encerrar, quem o senhor indicaria como próximo convidado do podcast?

Dr. Rodrigo Fureaux:
Gostaria muito de indicar o Dr. Renato Dorta, juiz em Goiás. Temos visões diferentes sobre muitos temas, mas isso enriquece o debate. Seria uma grande roda de conversa.

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