Entre vocação, fé e justiça: a trajetória do juiz Thales Leão no Mais que Jurídico

🎙️ Podcast Mais que Jurídico

Humberto Roriz:

Dr. Thales, é uma honra recebê-lo no podcast Mais que Jurídico. Para começar, o senhor poderia se apresentar e falar um pouco da sua atuação atual no Judiciário?

Dr. Thales Leão:
Eu que agradeço o convite. Atualmente sou juiz titular da Vara de Família de Luziânia, respondendo também pela Vara de Sucessões, Infância e Juventude, além de Fazenda Pública e Registros Públicos. Atuar nessas áreas exige sensibilidade, responsabilidade e, sobretudo, compromisso com as pessoas que procuram o Judiciário em momentos delicados de suas vidas.


Humberto Roriz:

Antes de ingressar na magistratura, como foi a sua trajetória acadêmica e profissional?

Dr. Thales Leão:
Sou formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas. Ingressei no curso em 2007 e me formei em 2012. Desde o quinto período, já atuava no Judiciário como estagiário da Justiça Federal em Alagoas. Depois disso, trabalhei como assessor de juiz e de desembargador, fui servidor efetivo do Tribunal de Justiça de Alagoas e exerci o cargo de oficial de justiça. Toda a minha trajetória profissional sempre esteve ligada ao Poder Judiciário, desde a graduação.


Humberto Roriz:

O senhor mencionou que levou cerca de sete anos até a aprovação na magistratura. Qual foi o maior desafio nesse período?

Dr. Thales Leão:
Sem dúvida, a constância. O concurso para magistratura exige muito emocionalmente. Houve momentos em que pensei em desistir. A primeira fase objetiva sempre foi a mais difícil para mim, por exigir uma memorização intensa da lei seca. Mas persistir, ajustar estratégias de estudo e acreditar que o propósito ainda fazia sentido foram essenciais.


Humberto Roriz:

Em algum momento o senhor quase desistiu definitivamente?

Dr. Thales Leão:
Sim. Cheguei a decidir que aquele seria meu último concurso. Eu já tinha estabilidade, estava financeiramente bem e próximo da minha família. Então precisei refletir: “Ser juiz ainda faz sentido para mim?”. Quando a resposta continuava sendo “sim”, eu seguia. Quando essa resposta deixar de existir, é legítimo mudar de caminho. Isso também é maturidade.


Humberto Roriz:

O senhor é autor do livro Testamento Vital e o Direito à Morte Digna. Poderia explicar esse tema para quem não conhece?

Dr. Thales Leão:
Claro. O testamento vital trata das chamadas diretivas antecipadas de vontade. É um documento feito por uma pessoa ainda em vida, plenamente consciente, no qual ela estabelece quais tratamentos médicos aceita ou recusa em caso de doença terminal ou incapacidade futura. Não se trata de patrimônio, mas de dignidade. O objetivo é respeitar a autonomia do paciente e orientar médicos e familiares em momentos extremamente sensíveis.


Humberto Roriz:

Esse é um tema pouco debatido no Brasil, não é?

Dr. Thales Leão:
Sim. Ainda há muito tabu em torno da morte. Quando estudei o tema, precisei recorrer ao direito comparado, como Portugal, Espanha e Estados Unidos. Hoje já temos resolução do Conselho Federal de Medicina, mas ainda falta maior debate acadêmico e social sobre o assunto.


Humberto Roriz:

O senhor também coordena o programa Pai Presente em Luziânia. Como ele funciona?

Dr. Thales Leão:
O programa Pai Presente busca viabilizar o reconhecimento espontâneo da paternidade. Atendemos pessoas que não possuem o nome do pai na certidão de nascimento. O procedimento é extrajudicial, com audiências conciliatórias e, se necessário, realização gratuita de exame de DNA. Também fazemos busca ativa em escolas e recebemos listas dos cartórios de registro civil. É um trabalho socialmente transformador.


Humberto Roriz:

Como é o dia a dia no seu gabinete?

Dr. Thales Leão:
Trabalho com uma equipe formada por assessores, estagiários, residente jurídico e conciliadora. Faço questão de atender pessoalmente advogados e partes, sem necessidade de agendamento formal. Entendo que isso não é um favor, mas um dever legal e institucional. A aproximação com os jurisdicionados fortalece a confiança no Judiciário.


Humberto Roriz:

O senhor foi reconhecido com o selo ouro de produtividade pelo Tribunal. Como recebe esse reconhecimento?

Dr. Thales Leão:
Com gratidão e senso de equipe. Nada disso é individual. O mérito é coletivo. A decisão judicial precisa ser proferida. A pior situação para o jurisdicionado e para o advogado é a ausência de decisão. A partir da decisão, o processo anda — seja para cumprir, seja para recorrer.


Humberto Roriz:

Além da magistratura, o senhor também atua como professor. O que o levou à docência?

Dr. Thales Leão:
Sempre gostei de ensinar. Desde a graduação, ajudava colegas a entender os conteúdos. Hoje leciono Processo Civil em Goiânia, aos sábados. Dei aula para uma turma formada por professores, mestres e doutores de outras áreas, o que foi extremamente desafiador e enriquecedor.


Humberto Roriz:

A rotina da magistratura é intensa. Como o senhor cuida da saúde mental?

Dr. Thales Leão:
Reconheço que ainda preciso melhorar nesse aspecto. Sou muito dedicado ao trabalho, mas tenho buscado equilíbrio com caminhadas, corrida, academia e momentos de descanso, especialmente perto da natureza e da praia, sempre que possível.


Humberto Roriz:

Para finalizar, que mensagem o senhor deixa aos concurseiros e à população em geral?

Dr. Thales Leão:
Aos concurseiros, reflitam constantemente se o propósito ainda faz sentido. Persistir é importante, mas saber mudar de rota também é sabedoria. À população, deixo a mensagem de que o Judiciário não deve ser distante. Magistrados são servidores públicos, inseridos na realidade social, e devem atuar com humanidade, imparcialidade e compromisso com a celeridade e a justiça.


Humberto Roriz:
Dr. Thales, foi uma entrevista inspiradora. Agradecemos imensamente sua presença no Mais que Jurídico e esperamos revê-lo em breve.

Dr. Thales Leão:
O prazer foi meu. Estou sempre à disposição.

📣 Política do Bem: https://www.instagram.com/portalpoliticadobem/
✨ Camila Pasquarelli: https://www.instagram.com/pasquarelli.psi/

📺 PODCAST COMPLETO: https://youtu.be/sd-Unso2_dg?si=Ekh89nOzwM2cgpyE