Júlia Lucy fala sobre política, comunicação, eleições de 2026 e faz críticas ao julgamento de Bolsonaro: “O Brasil vive uma distorção perigosa do Direito”

Entrevistadores: Dedé Roriz & Odir Ribeiro
Convidada: Julia Lucy (Ex Deputada Distrital, comunicadora política e influenciadora)

Entrevista

Política do Bem – Como está sendo sua vida fora do mandato? A política envelhece mesmo?

Júlia Lucy – Envelhece demais. A política é um estado permanente de guerra. Você acorda lutando para sobreviver, depois para aprovar projetos. É um estresse contínuo, e o estresse oxida o corpo. É muito pesado física e emocionalmente.


Você era considerada uma “loba solitária” na Câmara. Isso dificultava aprovar projetos?

Dificultava, mas eu aprovei tudo o que quis. Só que cada projeto era uma negociação diferente. Eu não tinha bloco, não tinha base automática. Era costura política o tempo inteiro.


Ser mulher prejudicou sua atuação?

Sim. A política ainda é um ambiente hostil para mulheres. Quando cheguei, sentia olhares de desconfiança, como se eu não fosse dar conta. Precisei provar o tempo todo que não era “café com leite”.
Mas aprendi rápido: quem cumpre palavra ganha respeito. Eu fazia acordos e cumpria, mesmo quando apanhava do partido ou dos eleitores.


Você teve conflitos com o partido Novo na época. Como enxerga isso hoje?

O Novo tinha regras muito rígidas. Eu não podia votar nem título de cidadão honorário, nem datas comemorativas. Isso me custava apoio político. Hoje o partido flexibilizou tudo o que antes criticava. A política é mais pragmática do que ideológica.


Sua votação para federal em 2022 foi menor que o esperado. O que aconteceu?

Foi uma eleição extremamente polarizada. Ou você era PT ou 22 (Bolsonaro). Meu partido não estava em nenhum dos dois polos. Perdi voto dos dois lados.
Mas teve um lado positivo: os votos que tive foram exclusivamente meus.


Você escreveu um livro sobre como vencer eleições e depois perdeu. O que aprendeu?

Aprendi que partido é 70% da eleição. Você pode ser bom, preparado, ter energia… mas, se estiver no partido errado no momento errado, não ganha. Política é contexto.


Depois da derrota, você migrou para a comunicação. Como surgiu isso?

Comecei comentando política no Instagram. Um vídeo viralizou, chegou a diretores da Jovem Pan e me chamaram. Fiquei quatro meses no Morning Show. Depois passei pela Oeste, Gazeta e hoje estou no canal do Cláudio Dantas.
Foi um presente que a derrota me deu.


Por que saiu da Jovem Pan?

Havia temas que não podiam ser tratados. O 8 de janeiro era um deles. Eu disse no ar, com base técnica jurídica, que não foi golpe. Recebi o aviso: “te avisei”. Saí. Mas saí tranquila, porque fiz o que achava certo.


Qual é sua visão jurídica sobre o 8 de janeiro?

Pelo direito penal, você precisa de tentativa real para caracterizar crime de golpe. Não havia armas, comando, apoio militar ou plano efetivo. Prédios vazios foram depredados. Foi vandalismo, não tentativa de golpe.
Chamar de golpe é distorcer o Direito.


E o julgamento de Bolsonaro?

Acho que há injustiça clara. Se flexibilizam a lei para condenar uma pessoa, podem fazer com qualquer cidadão depois. Isso é perigoso demais para a democracia.


Você já falou que a política afetou sua saúde. Chegou a ter sintomas físicos?

Sim. Queda de cabelo, estresse extremo. Tive até uma intuição muito forte de que, se continuasse naquele ritmo, poderia adoecer seriamente. Isso pesou na decisão de não tentar a reeleição distrital na época.


Mesmo assim, pensa em voltar?

Sim. As pessoas continuam me procurando, pedindo ajuda, pedindo que eu volte. Eu nunca parei de atuar.
Hoje, a chance de eu ser candidata é de 99%.


Distrital ou federal?

Meu coração pende para federal, porque vejo muitas lacunas no Congresso. Falta preparo técnico.
Mas ainda vou analisar pesquisas e cenário. Pode ser distrital também.


Sobre o Governo do DF em 2026: quem você vê forte?

Ricardo Capelli não me convence.
Leandro Grass é combativo, mas carrega a rejeição do PT.
A Celina Leão, na minha opinião, é uma das políticas mais habilidosas do país. Tem articulação invejável.
Se estivermos na mesma coligação, eu apoio.


O que falta hoje na direita brasileira?

Maturidade política. Não é só fazer vídeo e lacrar. Política é diálogo, construção, relacionamento.
Você pode ser firme sem ser agressivo. Sem isso, não se aprova nada.


Para encerrar: o que te move hoje?

Fé e propósito. Eu acredito que a política é instrumento de transformação real da vida das pessoas. Se eu puder ajudar, eu volto. Não por vaidade, mas por missão.

📣 Política do Bem: https://www.instagram.com/portalpoliticadobem/
🎙️ Dedé Roriz: https://www.instagram.com/dederoriz/
🎙️ Odir Ribeiro: https://www.instagram.com/euodir/
🛎️ Convidada: Julia Lucy – https://www.instagram.com/julialucydf/
✨ Camila Pasquarelli: https://www.instagram.com/pasquarelli.psi/

📺 PODCAST COMPLETO: https://youtu.be/KLJO4oCPVik?si=kTGtgSwcJFWKUAO2