Rombo do BRB com o Master: quanto o banco perdeu e quem paga a conta

Compartilhe:

O rombo do BRB com o Master virou a maior dor de cabeça financeira do Distrito Federal. Pessoas de dentro do banco estimam um buraco de pelo menos R$ 8,8 bilhões, e a Polícia Federal fala em fraudes que somam R$ 17 bilhões entre as duas instituições, segundo o Estadão. O ex-presidente do banco nega o prejuízo. A pergunta que importa para quem mora no DF: quem vai pagar essa conta?

Quanto é o rombo do BRB?

Não existe ainda um número oficial fechado. De acordo com o Estadão (28/10), a estimativa de integrantes do banco é de um rombo de no mínimo R$ 8,8 bilhões. É esse o valor da capitalização que o BRB busca, segundo o UOL. O Valor informa que o banco comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master suspeitas de fraude.

No depoimento à PF citado pelo Valor (31/10), a delegada lembrou que o BRB ficou com R$ 2,2 bilhões em créditos que não conseguiu trocar, valor registrado como prejuízo no Banco Central.

O que a Polícia Federal descobriu?

Segundo a Folha (28/10), o relatório final da PF, já entregue ao STF, aponta que a diretoria do BRB recebeu em agosto de 2024 um alerta de que cerca de 90% de uma carteira vinda do Master “apresentava falhas ou não atendia aos critérios exigidos”. Mesmo assim, o banco continuou comprando ativos até agosto de 2025. Em um caso, uma carteira de R$ 922 milhões caiu para R$ 164 milhões após análise. Depois, com critérios alterados, o valor subiu para R$ 422 milhões. O ex-presidente Paulo Henrique Costa e o ex-diretor Dario Garcia foram indiciados. Indiciamento não é condenação: o caso ainda depende de denúncia e de julgamento.

O que diz a defesa do ex-presidente do BRB?

Paulo Henrique Costa está preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, suspeito de ter recebido seis imóveis como propina, o que ele nega. Em depoimento à PF revelado pelo Valor, ele afirmou que as operações com o Master geraram mais de R$ 8 bilhões em receitas, que tudo passou pelos colegiados do banco e que o próprio Banco Central nunca alertou o BRB. “O BRB não perdeu dinheiro”, disse. A defesa afirma que, “globalmente, as operações foram lucrativas”. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, disse à Folha que nenhuma perícia oficial apurou prejuízo e chamou o indiciamento de “açodado”.

O empréstimo de R$ 6,6 bilhões vai sair?

Até agora, não. Desde maio, o GDF tenta um empréstimo de R$ 6,6 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com fiança de grandes bancos. A negociação travou, e o DF foi ao STF pedir que a União dê o aval. Segundo O Globo, o governo Lula chamou o pedido de “inteiramente descabido”. O argumento é que o DF tem nota C de capacidade de pagamento (Capag). O relator, ministro Luiz Fux, abriu prazos que empurram a decisão para depois das eleições, de acordo com o g1. Até aqui, o banco só levantou R$ 1 bilhão com a securitização da dívida ativa do GDF, e o presidente do BRB foi a Dubai buscar dinheiro.

O BRB vai quebrar?

A governadora reeleita Celina Leão descarta essa hipótese e também a privatização. “Se não quebrou antes das eleições, não vai quebrar depois. Nós vamos recuperar o Banco de Brasília”, disse ela ao Metrópoles. O banco vem se sustentando com depósitos judiciais e recursos do próprio GDF.

Quem paga a conta do rombo?

O GDF é o controlador do BRB, e a garantia oferecida no acordo do FGC são as cotas do FPE e do FPM, que são dinheiro público do DF. Na prática, se o banco não pagar, a conta chega ao contribuinte do Distrito Federal.

Opinião – Dedé Roriz: o brasiliense não pode ser punido duas vezes, pela má gestão que é investigada e pela má vontade de Brasília. O governo Lula trata o socorro como problema político, enquanto milhares de correntistas e servidores dependem do banco. Quem errou tem que responder na Justiça, com direito à defesa. Já o banco do DF precisa de uma solução técnica, sem palanque.

Leia também: Mitadas do Dedé Roriz: Celina reeleita · Servidor do GDF: contracheque e pagamento · Celina arruma a casa e bancada defende o FCDF

Fontes oficiais: Polícia Federal · STF · Banco Central · FGC · BRB – Relações com Investidores.

Leia também: Ibaneis e o depoimento sobre BRB/Master.


Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *