A rede pública do Distrito Federal ganhou uma arma nova contra o câncer do colo do útero. O teste DNA-HPV, um exame molecular que identifica o vírus antes de a doença se manifestar, já é oferecido nas unidades básicas de saúde (UBSs) das regiões Oeste e Sudoeste. Até setembro, foram mais de 9,2 mil procedimentos, segundo a Agência Brasília. É uma daquelas boas notícias da gestão pública que merecem ser contadas com fonte e sem exagero.
O que é o teste DNA-HPV?
É um exame que procura o material genético do papilomavírus humano (HPV) na amostra colhida do colo do útero. A diferença para o tradicional Papanicolau está no momento em que o problema é encontrado. O Papanicolau olha para as células e mostra alterações que já começaram. O DNA-HPV procura o vírus que pode causar essas alterações.
A médica de família Aline Dias, da UBS 11 de Samambaia, explicou a diferença à Agência Brasília: “O exame Papanicolau identifica a célula já em modificação, enquanto o DNA-HPV é capaz de identificar o vírus causador da doença antes que ela esteja manifestada”. O teste detecta 14 genótipos de HPV de alto risco, os tipos mais ligados ao câncer.
Onde o DNA-HPV está disponível no DF?
A oferta começou em março de 2026 e cobre as 59 UBSs das regiões de saúde Oeste e Sudoeste, de acordo com a Secretaria de Saúde. O Metrópoles também registrou a chegada do exame ao DF. Quem mora em outras regiões deve procurar a UBS de referência para saber como está o rastreamento na sua área. O portal tem um guia de como achar a sua UBS no DF.
Quem pode fazer o exame?
O público prioritário do rastreamento são mulheres de 25 a 64 anos, faixa que concentrou a maior parte dos exames feitos até setembro. Para a paciente, quase nada muda. A coleta é feita do mesmo jeito que a do preventivo, no consultório da UBS, por profissional de saúde.
Entre as pacientes ouvidas pela Agência Brasília está Maria José Gomes, de 59 anos, atendida na rede pública. Histórias como a dela mostram que tecnologia boa não precisa ficar restrita a quem pode pagar plano de saúde.
O Papanicolau vai acabar?
Não de uma vez. Segundo a Secretaria de Saúde, a mudança é gradual. Com o novo modelo, o Papanicolau passa a ser usado para confirmar os casos em que o DNA-HPV dá positivo. Na prática, o exame molecular vira a porta de entrada do rastreamento e o exame das células entra na etapa seguinte, para orientar o acompanhamento.
Isso não significa que um resultado positivo seja diagnóstico de câncer. Ter o vírus indica risco e pede acompanhamento médico. Por isso a recomendação é sempre seguir a orientação da equipe da UBS e não abandonar o retorno.
E a vacina contra o HPV?
A prevenção também passa pela vacina. A Secretaria de Saúde ampliou temporariamente a vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos até 31 de dezembro, em mais de 100 salas de vacinação. A cobertura no DF é de 85% entre as meninas e de 70,8% entre os meninos, abaixo da meta de 90%, informa a Agência Brasília. A agenda de pontos está no nosso guia de vacinação no DF.
A vacina é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual.
Por que isso importa?
O câncer do colo do útero é, em grande parte, evitável. Ele leva anos para se desenvolver e passa por lesões que podem ser tratadas quando encontradas cedo. Um exame que encontra o vírus antes dessas lesões dá tempo à mulher e ao médico. Informações gerais sobre o câncer e a prevenção estão no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Análise
Opinião – Dedé Roriz: é assim que se faz política pública de verdade: tecnologia que chega à ponta, na UBS do bairro, com número para mostrar e sem marketing de palanque. O desafio agora é levar o DNA-HPV às outras regiões de saúde do DF e fechar a lacuna da vacina, principalmente entre os meninos. Dinheiro de imposto bem aplicado é o que a população cobra. Quando o governo entrega, a gente reconhece. Quando atrasa, a gente cobra.
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Dedé Roriz assina a coluna Mitadas do Dedé no Política do Bem.





